segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

o curioso caso de benjamin button

“A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18″. O Mark Twain disse isso, dentre as muitas coisas geniais, sapientes, interessantes, engraçadas e inusuais que ele disse e escreveu em seus 74 anos de vida. Onze anos depois da morte do Twain, o Scott Fitzgerald, então no início de sua carreira como escritor, pegou o mote da frase e transformou em O Curioso Caso de Benjamin Button, lançado primeiro em uma revista literária e depois em um livro de contos.


Com sua frase, Twain estava contemplando a felicidade hipotética de ter o vigor físico, mental e a sapiência coincidindo. Naquelas de "ah, se com meus 18 anos eu soubesse do que sei agora, aproveitaria melhor etc". Twain parece refletir sobre qual o ponto de acumularmos experiências e sapiência por toda uma vida se ao final dela vamos... morrer - sem termos o vigor para usar.

O conto do Fitzgerald é um exercício sobre isso. O Twain pensou em voz alta e o Fitz fez um conto, pequeno, conciso, mostrando a vida de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo com o passar dos anos. Vejo este conto como algo bem menor no Fitzgerald - especialmente porque acho que ele perdeu algo do que o Mark falou. O Benjamin do Fitzgerald nasce velho - e falando e sabendo - e termina a estória na escolinha repetindo "elefante" depois da babá. Qual o ponto disso? No conto, o Benjamin não adquire nada com o tempo que vá aproveitar depois. Ele não amadurece - pelo contrário. Ele vive ao contrário não só de corpo, mas de mente também, e não era disso que a frase do Twain tratava. É como se o Fitzgerald tivesse pensado no assunto meio que an passant, rapidinho.

O Fincher vai mais ao ponto. Claro que, digo aqui, o filme é só livremente inspirado no conto. Mas ele pega o que o Twain insinuou e o Fitzgerald apontou como e leva adiante: Benjamin nasce velho mas não sabe andar ou falar. Benjamin nasce velho mas não sabe o que é infância ou velhice. Ele não sente que ele é uma criança ou um idoso, especialmente. Ele tem artrite e outras doenças de velho, mas gosta de brincar de soldados, ouvir histórias e se apaixona por uma criança ruiva, mais ou menos de sua idade.


Ao longo do filme, Benjamin amadurece e rejuvenesce. Como ele cresceu em um asilo, ele conviveu cedo com velhice e morte, passa pela parte das dores e vida madura quando trabalha no mar e tem o caso com a desencantada mulher de um diplomata e finalmente, um momento na vida, um encontro em meio a uma vida de desencontros, ele consegue concretizar sua paixão com a menina ruiva por quem um dia se apaixonou (a cate blanchett, primeiro filme que ela tá true linda, digo a vocês). os dois têm a mesma idade aos 43 anos e depois disso ela vai ficando mais velha do que ele e se no começo era uma vaidadezinha ("poxa, vc cada dia mais jovem e eu cheia de rugas") depois começa a virar uma preocupação maior (tipo e quando benjamin tiver 12 anos, no corpo? e quando se tornar um bebê). não vou contar mais para não spoilar. só digo que o filme é de uma tristeza danada, porque fala de perdas, de tempo, inevitabilidades e de como realmente a vida é um monte de acaso e poucos, realmente poucos, encontros. é de chorar. e digo (sem tpm) que já estava derramando lágrimas na primeira cena.


o filme começa com a cate blanchett no hospital e o katrina chegando (a história se passa em nova orleans, quase toda) e ela conta uma história para a filha. a história é sobre um relojeiro cego cujo filho vai para a guerra. ele está fazendo um relógio mara para colocar na estação nova de trem, tipo big deal e tal. o filho do cara morre na guerra e ele e a mulher ficam arrasados. no dia da inaugração da estação de trem, ele vai lá mostrar o relógio e quando tira o pano, alguém fala " ei, este relógio está correndo para trás!", ao que o relojeiro responde: "sim. meu relógio corre para trás para, quem sabe, o tempo voltar e nosso meninos não estejam mais indo para a guerra e sim, voltando, trabalhando". e nesse momento nós vemos a cena "rebobinando" e o coração aperta. porque o tempo não para, não volta, não permite mudanças e é implacável.

talvez se o mark twain visse este filme ele repensasse sua frase, embora obviamente ainda sirva como um desejo (quem não queria ter a experiência de uma vida e um corpo jovem?) e visse que, na real, não é bem assim. o luiz carlos merten diz que este filme mostra que às vezes as coisas na vida valem por um momento: o momento em que os dois se encaram, na mesma linha de idade, prontos para terem um relacionamento, vale tudo o mais. Ele chama de "momento raro de harmonia". E o resto é o resto.

a frase do twain é nota 8 (ele tem padrões muito altos); o conto do fitzgerald eu daria um 7 (é marromeno); o filme é nota 10 (tiraria essa coisa de nova orleans, mas vai assim mesmo). tem uma hq baseada no conto, soube hoje, mas não li e não posso falar. (plus do filme: trilha do alexandre desplat, uma das quatro coisas boas de painted veil - as outras eram a naomi watts, o edward norton e a fotografia rs)

leia o conto (em inglês)

UPDATE (21/01): a diferença entre forrest gump e benjamin button: fincher. acho o filme do tom hanks tao semc arisma que nem perdi meu tempo falando de como parece blablabla, como o roteirista gosta dos mesmos temas (asi somos) etc. e sobre os clichês, ah, well... isso também sequer é uam discussão. a obra se encerra em si, e muito bem, obrigado. o ano ta forte para os filmes, mas benjamin button ta vivão.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2008

O ano do tá ruim tá ótimo. To be continued...

Top 10 artistas 2008 (mais ouvidos)

1) Aimee Mann
2) Radiohead
3) The Beatles
4) Portishead
5) Carla Bruni
6) Cat Power
7) Julie Doiron
8) Coldplay
9) John Frusciante
10) Marianne Faithfull

Top 10 discos 2008 (mais ouvidos)

1) The Forgotten Arm, Aimee Mann
2) Lost in Space, Aimee Mann
3) Quelqu'un m'a dit, Carla Bruni
4) OK Computer, Radiohead
5) Whatever, Aimee Mann
6) I'm With Stupid, Aimee Mann
7) Blue, Joni Mitchell
8) No Promises, Carla Bruni
9) Dummy, Portishead
10) Moon Pix, Cat Power


Top 10 músicas 2008 (mais ouvidas)

1) Metal Heart, Cat Power
2) Those dancing days are gone, Carla Bruni
3) Le ciel dans une chambre, Carla Bruni
4) It's Over, Aimee Mann
5) Freeway, Aimee Mann
6) 31 Today, Aimee Mann
7) Video, Aimee Mann
8) Stranger Into Starman, Aimee Mann
9) Humpty Dumpty, Aimee Mann
10) Deathly, Aimee Mann

MELHORES DO ANO - música

1) @#%&*! Smilers, Aimee Mann

Desculpe não surpreender no top one. Minha amiga Nina, que ouve música na sussidão, fica dizendo que sou obcecada com a Aimee, mas não é bem assim. Quando você tem a expectativa no alto é mais fácil se decepcionar, né? Eu sei que escuto mil vezes, porque sei que Aimee tá nas sutilezas, mas que seja: Smilers é um cd tão bom quando o predecessor, The Forgotten Arm (One more drifter in the snow é café-com-leite, ta?), e isso é big deal para mim. Disco do ano com folga e sobra.


2) Seventh Tree, Goldfrapp


3. Oracular Spectacular, MGMT


4. Third, Portishead

5. Music Hole, Camille

6. Viva La Vida, Coldplay


7. Dreaming of Revenge, Kaki King

8. Microcastle / Weird Era Cont., Deerhunter

9. Lost Wisdom, Mount Eerie

10. Consolers of the Lonely, The Raconteurs

Outros destaques: Lil Wayne (The Carter III), Hot Chip (Made in the Dark), The Killers (Day & Age), Man Man (Rabbit Habits), Ladytron (Velocifero), Crystal Castles (homônimo).

Top 5 músicas de 2008 (só hit)

1) Time to pretend, MGMT
2) Life being what it is, Kaki King
3) Agoraphobia, Deerhunter
4) Viva la vida, Coldplay
5) That's not my name, The Ting Tings


CINEMA

Vi tão poucos filmes este ano que me arrisco somente a fazer um top 3 totalmente errático. I mean, Wall-E é o rei inconteste deste ano, mas os outros dois são filmes interessantes com muitas falhas. No fim das contas, acho os dois BONZÕES porque o lado bom suplanta o lado ruim de longe, mas coisas melhores devem ter rolado em 2008. Menção honrosa para Senhores do Crime e também A Espiã. E, pq não, Vicky Cristina Barcelona.

1) Wall-E
2) Sinedoque, Nova York
3) Paranoid Park
LITERATURA

Escritor do ano: KURT VONNEGUT

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

top 5 atrizes clássicas (altos e baixos)

1) Ingrid Bergman
29 de agosto de 1915 – 29 de agosto de 1982
Sueca, virginiana. Casada por três vezes, teve quatro filhos: Pia, do casamento com um odontologista sueco, e Roberto, Isabella e Isotta (essas duas gêmeas) com o diretor italiano Roberto Rossellini.



Meu top 3:
1 ) Casablanca
2) Stromboli
3) Interlúdio

A Ingrid viveu o ápice e o declínio numa proximidade assustadora – e depois deu a famosa ‘volta por cima’, ainda que jamais tenha sido a mesma coisa. No início da década de 1940, ela era simplesmente a atriz mais bem paga e mais querida de Hollywood. Era casada com um homem de fora do showbusiness, tinha uma filha e uma vida em casa bastante sólida. E aí de repents se apaixonou pelo Rossellini, numa história total de filme, foi pra Itália, teve três filhos – e nem foi pra sempre! Tem essa história surreal do senador que queria a cabeça dela por “ser uma má influência” e na verdade também é uma história triste, não só de amor, porque teve um casamento desfeito e uma criança traumatizada. Eu adoro esse pedaço do Rossellini, acho muito interessante os choques culturais e como o amor pode surgir entre uma discreta sueca (embora na real a Ingrid nunca tenha sido esse paradigma da “geleira sueca” como, por exemplo, a Garbo foi) e um italiano temperamental. Os dois fizeram três filmes bonitos – um deles na verdade é simplesmente lindo – e também tiveram três filhos, então ta valendo. A Ingrid morreu de câncer no dia do aniversário dela, ladeada só pelo último marido (que já era ex na ocasião).

Screen Legend #4


2) Vivien Leigh
05 de novembro de 1913 – 07 de julho de 1967
Inglesa (nascida na India), escorpiana. Foi casada duas vezes e mãe de uma filha, Suzanne, do primeiro casamento.
Meu top 3:
1) ...E o vento levou
2) Anna Karenina
3) Uma rua chamada pecado

Depois que eu terminei de ler a biografia da Vivien fiquei num baixo astral danado. Tem muitas coisas legais, e ela tinha um lado boêmio, uma curiosidade intelectual saudável, curtia teatro e literatura, viveu uma história de amor, mas a nota era de tristeza. Ela teve uma carreira relativamente curta (do tipo, poucos filmes) e uma morte prematura. Teve um breakup de partir o coração com o Laurence Olivier. Sofreu de transtorno bipolar quase que toda a vida e passou uns quase 20 anos com tuberculose, que acabou por matá-la. Passou anos tentando ter um filho com Olivier e nada. Tinha dificuldade em se impor como atriz teatral – as opiniões variam, o Tynan foi do esculacho à ode. Sei lá. Leiam aí. Vocês vão ver que a Vivien sempre esteve atrás de algo e acho que não encontrou...

Ela era de uma família meio rica, bem educada, moça inglesa de boa procedência, refinada. É um tom tão diferente da Scarlett, meu bb, adoro as duas (e tinha essa obsessão escorpiana com o sexo, pena que a GRACE KELLY não entra num top 5 meu ou vcs veriam o que é a PERSONIFICAÇÃO de uma escorpiana clássica do sexo).

Screen legend #16


3) Katharine Hepburn
12 de maio de 1907 – 29 de junho de 2003
Americana, taurina, sem filhos, solteirona. Ponto não, vírgula! Ela teve um romance de 25 anos com o Spencer Tracy, que por ser católico não quis se divorciar da mulher, mesmo os dois não vivendo juntos. Quando o Tracy morreu, em ’67, a Kate ainda teve as manhas de NEM IR no enterro para deixar a esposa à vontade. Você pode pensar que isso é papinho machista e colonial e tal, mas acho fino e digno. A edição em DVD de Núpcias do Escândalo tem um documentário classe A sobre a Kate e ela falando do Spencer, da perda dele, é de deixar a gente tristão.


Meu top 3:
1) Núpcias do Escândalo
2) De repente no último verão
3) Levada da Breca

Eu conheci a Katharine Hepburn muito tarde. Antigamente, eu até achava que ela devia ser aparentada da Audrey, na época que a Audrey era musa, e blá blá blá. Em 2004, quando eu vi O Aviador, ela ainda era uma desconhecida para mim – interpretada pela Cate Blanchett, ela me parecia MUITO MAIS interessante que a Ava Gardner da Kate Beckinsale. Recuperei as anotações sobre esse filme outro dia. Apesar do seu ar intimidador, a Kate teve seus casinhos e super romances vida afora. Apesar de mil e um percalços, de ter perdido um irmão cedo, depois ter perdido o Spencer, de “ser só”, a vida dela, ao contrário da Vivien, sempre teve uma nota de alegria. OK, alegria não é bem a palavra. Era uma conformidade, sem conformismo, um jeito de saber pegar a vida pelos chifres, let it be. Morreu de velhice, na casa da família.

A personalidade forte certamente ajudava. A Kate era de uma família liberal muito interessante e sempre teve muita consciência de si. Ela queria ser atriz e se dedicou à isso e, vejamos, com grande sucesso. É a maior vitoriosa da história do Oscar (quatro). Recentemente, a AFI fez diversas listas sobre o cinema, inclusive das Screen Legends. Do lado feminino, a Kate levou, deixando uma interminável discussão youtube afora sobre quem era mais versátil, ela ou a vice, Bette Davis. Jesus sabe que eu adoro a Bette. Acho mara. E também não é bem questão de versatilidade entre as duas. A Bette fazia melhor essa galera com carão e era o tipo que mais davam para ela, também... A Kate também tinha um tipo. Mulher independente, coisa e tal. Mas já falei nesse blog: o que faz toda a diferença na Hepburn são as sutilezas e como ela pode pegar dois papéis que têm tudo para ser mais do mesmo e fazê-los de maneira diferente. É de chorar na frente da TV. Hoje em dia, racionalmente, já acho a Kate a maior atriz aí do cinema. No duro. Mesmo. Claro que eu ainda gosto mais da Ingrid (atriz excepcional e, essa sim, versátil pra caralho, apesar dos que querem dizer que só fazia a mocinha casta).

Screen legend #1


4) Greta Garbo
18 de setembro de 1905 – 15 de abril de 1990
Sueca, virginiana, sem filhos ou maridos (botando assim lado a lado vc vê que exagero a pessoa ser sueca e virginiana, no caso da Garbo isso pegou...)

Meu top 3:
1) Ninotchka
2) Love
3) Rainha Cristina

Eu sempre gostei da Garbo. Acho que é um dos maiores ícones do cinema (dessa lista aqui, a maior, no geral acho que só perde pra Marilyn e pra Audrey). Hoje em dia já tenho mais reticência com ela e alguns filmes, com toda aquela eloqüência e melodrama me parecem meio over. Ela tem muitas banalidades na filmografia e tals, algumas até bem incensadas, mas o fato é que por mais cafona que seja o filme ela nunca está mal. Ela pode estar, com aquele sotaque enlouquecedor, falando coisas uó em um tom estranho: a câmera amou essa moça de um jeito inédito, aqui essa máxima é real.

Alguns takes de filmes da Garbo fazem a gente morrer – são pura beleza. O Tynan no perfil sobre ela disse que “o que um homem vê bêbado em outras mulheres, vê sóbrio em Greta Garbo”. Mais pra frente no perfil ele fala também de como pairavam dúvidas sobre gênero e sexualidade sobre a atriz e compara com Marlene Dietrich e Kate Hepburn, para dizer que Garbo as transcende nesse aspecto.

Muito se disse sobre o mito que ela mesma ajudou a criar (não ajudamos sempre?) e de fato não acho que importa muito se ela era inteligente, gay, estúpida. É claro que me sinto atraída por essa mítica Garbo “i want to be alone” – e sim, ela fala isso no Grand Hotel. A Garbo tinha mil esquisitices e queria ficar sussa, como não relate com isso? Ela não largou a cena, apenas todos os ensaios para voltar deram errado. Sussa. Ela ficou vivendo aí, mítica, e um dia morreu por conta de uma pneumonia, banal assim.

Dizer que a Garbo é uma esfinge é um clichê, embrulhadinho de Natal para vocês. No final da contas, o Tynan diz que Garbo merece o reconhecimento por ter se mostrado para as câmeras como ninguém mais, mas recusa aceitar que ela tenha sido uma grande atriz, de fato. No fundo, talvez, ele tenha razão, mas ouso dizer: Who cares?

Vejam um trechinho bonito desse perfil:

“Um amigo hispanófilo me corrigiu; segundo ele, ‘garbo é a graça animal sublimada – a ostentação de um charme natural, aplomb contaminado por joie de vivre, inato, brioso, controlado, o atributo essencialmente feminino (mesmo em toureiros)’. Em suma, ‘garbo’ é Garbo sem a melancolia, sem intimações de mortalidade. A palavra descreve o embrião, a maiúscula inicial a investe de alma. É a diferença entre Gösta Berling e Ana Karenina”.

Screen legend #5


s2

QUINTO LUGAR

tá cruel aqui. Louise Brooks, Susan Hayward, Cyd Charisse, a maravilhosa Bette Davis? Gosto muito da Grace Kelly e simpatizo com a Rita Hayworth mas acho que essas, no momento, estão fora do meu top.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

where in the world is carmen san diego?

eu não posso exigir nada, nada, e essa postura passiva é uma das coisas que me mata. ficar esperando, esperando, esperando, por algo que você sabe que não vai vir. estou me sentindo tão inquieta, ansiosa e com um plus gigantesco de tristeza/melancolia que queria ficar dormindo ou dopada o tempo todo.

não consigo ler, não consigo me concentrar para ver um seriado por 40min e durante um filme me distraio mais que tudo. sei que é da minha cabeça. sei que é bisesão. preciso encontrar um way out of it independente de qualquer coisa, por mim mesma e para mim mesma. não quero essa vida de refém, ponto.

doida que chegue março, rio de janeiro, para começar a viver com com essa galera de salvador no SPAM, como bem disse thiago...

trilha sonora do momento: beirut, deerhunter

domingo, 7 de dezembro de 2008

Rio de Janeiro vs. São Paulo

Eu troquei São Paulo pelo Rio de Janeiro. É até um pouco surreal. Dayane disse que eu estava trocando seis por meia dúzia; não chega a ser um absurdo. Eu mesma, quando retornei do Rio – primeira e única viagem, em 2005 - disse a todos que era tipo Salvador maximizado, mais bonito e mais gente grande. Mas era uma vibe que eu não queria para mim e, para ser sincera, eu tive que fingir um encanto para toda minha família quando voltei do Rio porque a viagem foi um pavor. Não foi nem a cidade e nem os fatos; tive um ataque de ansiedade e choro e saudades de casa porque pela primeira vez estava longe de casa e da minha família – em 2007, fui para Recife numa reprise dessa situação mas me sai muito melhor.

Eu me lembro que o Rio é bonito e arborizado, mas não me encantou. Tenho umas lembranças até meio esdrúxulas, de estar andando nas ruas atrás de Lucas Fróes, que ia dar a dica de uma loja de CDs.

O Rio é quente, é praieiro, tem um culto louco à beleza. São Paulo é mais concreto, cinza e gente perdida. Acho que foi nesse ponto que acabou se perdendo. Eu adoro uma brinks e tals, mas montação e essas coisas eu aprecio somente em doses homeopáticas. Se eu tivesse que viver com isso, como sei que teria, em SP, acho que ia morrer. Com esse mundinho fashionista descontrol. É incrível como as duas cidades vão estar repletas deste tipo de superficialidade – e eu nada tenho contra superfícies e muito menos futilidades – e isso de certa maneira vai me cansar.

Eu nem conheço São Paulo, a América. Vou conhecer em março, no apocalíptico final de semana do Radiohead. Talvez eu me arrependa. Vai saber? Acho que sempre vou parar e pensar no que poderia ter sido – é inevitável. Mas o que eu preciso realmente é um restart. Por que salvador não é tão ruim assim, fora o calor maligno, mas é muito casa, passado, presente... Não sei começar uma nova vida aqui. Não vejo como. Eu preciso sair disso aqui. Faz parte. Todo mundo quer bailing this town, qualquer que seja ela... Aposto que tem gente em Londres e Paris se sentindo sufocada e pensando em como sair dessa armadilha/cilada da vida. Porque a gente nasce, cresce e estabelece raízes nocivas – e é preciso novos ares... Eu sei, Hilda Hist, que ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti, mas a gente precisa de algo pra ir enganando né?

E é uma besteira, mas eu fico pensando na Aimee. Sempre achei idiossincrático ela morar em Los Angeles (mora em Los Feliz, é uma piada pronta ou o que?). Ontem, com isso em mente, comprei a revista do Paulo Borges especial de Los Angeles – só vi a de Londres, que Thiago comprou, e cheguei a namorar Tókio, mas deu em nada. LA é uma cidade gaydacu e mágica ao mesmo tempo e acho que isso bem se aplica ao Rio – mas a verdade é que me mudo por uma atmosfera, companhia e por teoria, não por ímpeto & mágica.

Espero um 2009 foda, não aceito menos que isso. Sair de Salvador, da casa dos pais, me lançar na vida, ver o Radiohead ao vivo – torcendo pelo Sonic Youth em maio também... Tá batendo em 2008 – ano de monografia e formatura, pois não – com o pé nas costas.

sábado, 1 de novembro de 2008

LANE: That's what you get, folks, for making whoopee.

O segundo episódio começa com luke dirigindo, chegando na casa de Chris, bate na porta e dá um murro nele, fim.



Depois mais pra frente lorelai e ele se encontram pela primeira vez depois de tudo e ele fica naquela coisa “eu to bem” passivo-agressivo. É mais ou menos assim:


- eu to bem. Esmurrar Christopher serviu pra mim.

- vc esmurrou o Christopher?

- seu namorado não te contou? Vcs precisam trabalhar melhor na comunicação.

- larga disso, ele não é meu namorado.

- tudo bem se for, eu estou bem, não ligo pra quem vc namora.

- ah, então quando pensar em bater em alguém não bata. Vc tem que descontar sua raiva em mim. Sou eu que mereço.

- eu estou bem, vc que está insistindo. Nós não vamos casar. Grandes coisas.

- Grandes coisas?

- é, vc que me pediu em casamento mesmo.


Touché.

Depois lorelai faz a melhor fake Ásia pra rory (tudo soa um exagero desnecessário para mim e sim, há exageros que não desagradam e não passam a idéia de tão inúteis), pq rory e Logan iam para Ásia, mas não rolou pq ele foi trabalhar em Londres e tal. No meio da brinks, a secretaria eletrônica atende uma ligação de Christopher falando que lorelai ta evitando ele, e citando a noite que tiveram... aí elas duas brigam e rory é bem dura e como lorelai ta culpada fica aquele tom de desculpas. A rory fecha com esta: “you know what, mom? If you’re heartbroken, rent an affair to remember, have a good cry, and drown your sorrows in a pint of ice cream. You get a hideously breakup haircut. You don’t sleep with dad”. Ouch.



A melhor defesa que a lorelai consegue é um “i’m not perfect”, que fica aí de ressalva para todos groupies cegos da lor.


A parte da rory nesse epi é ficar catching up com Lane, que voltou da lua de mel no México. É nesse epi que a recém-casada descobre que está grávida. Lane fica freaking out falando que vai ser uma mãe ruim, que não sabe de nada, e aí rory fala que ninguém é perfeito, nem mesmo mães...


Luke janta com Liz e TJ, e debatem o término dele com lorelai, e ele fala que não foi nada, foram eles mesmos, eles não ‘belonged together’, aí é o prenúncio para quando ele reencontra lor no mercado ele falar: agora cada um volta pro que era, vc compra café, eu sirvo. We’re not right together, you don’t belong to me, you belong to someone like Christopher – o que em tipo muitos níveis faz sentido, mas que mata a lorelai – e todos java junkies.



Ela ta arrasada em casa, aí rory chega pra consolar, sem palavras, só assim.


the long morrow

um dia desses, nesta semana, passei pelo quarto e minha irmã estava assistindo gilmore girls na warner. meio hipnotizada, parei também. depois comentamos desta idiotice de ficar vendo na tv quando podemos ver na nossa ordem, o que quisermos, quando quisermos, porque tenho todas as temporadas em dvd. mas tem algo de mágico em assistir algo assim, de surpresa, uma reprise aleatória (vi tipo 1 minuto, era algo da sexta temporada).

passei uns dois dias sentindo uma saudade louca de gilmore girls. eu fico tranks boa parte do tempo, mas tem vezes que me sinto SUFOCADA DE AMOR por essa série (isso meio que acontece com tudo que gosto muito, de vez em quando sinto tanta identificação que me desnorteia). esta é tipo minha série, e eu vejo várias, gosto de várias, tenho algumas aqui para rever sempre, mas como esta não tem igual.

tinha esse plano de rever gilmore girls toda em seqüência, tipo uns dois ou três por dia, mas quando eu estava acabando a primeira arrumei um emprego que estragou tudo. hoje decidi assistir algo e fiquei meio em dúvida do que. já vi todos os episódios, e as três primeiras temporadas sei de trás pra frente (já revi a terceira n vezes), então fiquei entre as últimas. resolvi assistir a última. eu só comecei a baixar gilmore girls na sexta temporada. até a quinta eu via na tv, na warner, na quinta-feira. pensei em retomar da quarta, que seriam as que eu tinha visto menos, mas não faz sentido pq não vou seguir. sortei uns números aleatórios no random.org, mas admito que trapaceei (tipo, o primeiro episódio que jason "mala" stiles aparece? acho que não.

acabei me decidindo por ver a sétima temporada, que é realmente a que conheço menos.

ah, the long morrow. quando saíram as primeiras imagens todos queriam se enganar e acreditar que aquele braço ao redor da lorelai não era do christopher - apesar da temporada anterior ter terminado com ela batendo na porta dele, depois de brigar com luke. puff, um segundo pra destruir os corações dos shippers, fãs e idolatradores da lor: a temporada, para ela, começa deitada aparentemente sozinha na cama, e aí chris vai aparecendo... é seco, duro e horrível, é de partir o coração e lorelai fica desconfortável o episódio todo, como nós, os telespectadores. assim que escapole da casa do chris, mega desconfiada, vejam a cara dela de FIZ MERDA:

ela chega em casa, encontra babette e continua desconfiada - porque ela sabe da briga, sabe que lorelai não dormiu em casa, sabe que luke não ligou... e quando sai, tchazan, lá está luke, fazendo o número mega didátido do "eu sou lento, ora bolas". "there is no us", diz lor para ele. "it was over last night and it's over now. it's over" - aqui buscando dizer que eles tinha terminado e, portanto, não havia traição: uma tecnicalidade que não engana ninguém. a melhor coisa para expressar o que GERAL sentia, a consternação mix mágoa, é a cara e o "oh" da sookie quando lorelai conta que dormiu com chris. lorelai tá tipo "nós brigamos" e ela fica "todos brigam", "nós terminamos", "ah, vcs voltam" e aí ela joga que dormiu com christopher. sookie morre, claro, mas uns dois segundos fala o BASICAO: não revele nunca.


depois rory chega lá mas não quer falar sobre a falta de logan - rory começa o episódio sozinho na cama e depois vendo o presente que o namorado deixou pra ele, um foguete brinks - e lorelai não quer falar sobre o término com luke, aí elas decidem "não falar" ("who says we always have to be talking?", a piadinha com o talktalktalk que faz a série ser o que é) e para isso decidem praticar um esporte como a única maneira de evitarem a conversa - o que, no calor da hora, acaba saindo meio forçado. e é claro que dá errado. rory fica tentando descobrir o que o presente significa - ela finge no telefone com logan que entendeu o significado por trás do foguete, e lorelai sempre se esquivando de falar o que rolou com luke.


depois lorelai tá se "livrando das coisas de luke" e conta a versão resume dos fatos lá pra rory, que fica toda com pena (quando em um epi mais pra frente ela descobre que lorelai tipos deu pro chris ela fica toda puta, a rory sempre teve mais moral, sem ser moralista, que a lorelai, fora um senso de responsabilidade, no geral).

luke depois tem uma explosão didática com um cara que vai consertar a loja ("estou pensando, vocês não podem me dar um tempo???"). acho uó. luke não é lento, ele é sólido. ele sempre gostou da lor, e sempre fui super ligado em QUALQUER alteração de humor dela, até antes deles começarem a namorar, na época do crush e tudo mais, então fingir que não viu e que tava processando, mesmo com toda april stuff, não colou muito pra mim nunca.

aí vem o clueless do chris dizer que curtiu a noite. lorelai fica tipo "sai dessa, man" e vc pensa que vai ficar por aí, então a insistência dele e no final, no desenrolar da temporada, o fato deles acontecerem é meio brinks.

corta pra parte da MORTE. luke vai lá, todo empacotado, chamando lorelai para elope. e ela fica lá com aquela cara louca de fiz merda mix mágoa mix consternação que é a descrição deste episódio até que fala: i slept with christopher, pra luke parar de insistir. ele vira e vai embora sem um "a". a lorelai fala até tímida, e depois olha pra baixo toda retraída, mas acho que ela tinha a necessidade de falar, sei lá, sempre achei que ela ia falar - da primeira vez que os dois se encontram no episódio ela nem consegue falar com ele direito, olhá-lo. termina assim, com luke dando a partida no carro e lorelai vendo, seco e triste.

toda a parte de rory é meio boring, aquela coisa do foguete, e será-que-eu-e-logan-estamos-juntos-apesar-dele-estar-em-londres, mas é sussa. rory por sinal tá com um cabelo mágico nesse episódio.

o braço da discórdia

foi um começo de tempora polêmico, mas eu considero bem bom. o episódio corre rápido, é emocionante e tal. a temporada começou bem e terminou bem, só no meio que teve uns tropeços.