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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

melhores discos 2009

esses foram os discos lançados em 2009 que eu mais curti, cantarolei, busquei abrigo. não curti muito as novidades indies do ano (salvo o the xx, que é bem legal). fico com os cantores compositores e coisa e tal. mas o yyy novo é bom d+. a marissa ficou na frente o tempo todo (lindolindo), mas sentei aqui agora, botei a mão na consciência, fiz o filminho de 2009 na cabeça (que filminho...) e não pude fazer diferente:

1) sometimes i wish we were an eagle
, bill callahan

2) little hells, marissa nadler

3) irm, charlotte gainsbourg

4) it's blitz, yeah yeah yeahs

5) uhuuu!, cidadão instigado

6) a strange arrangement, mayer hawthorne

7) noble beast, andrew bird

8) actor, st. vincent

9) the spinning top, graham coxon

10) hombre lobo, eels

sendo que os seis primeiros tão muito mais no coração. quase fiz um top 6. foi meio na unha. o ano não foi lá ESSAS COISAS, mas quando paro e penso na felicidade de existir esse disco do bill ou essa maravilha que a charlotte lançou agora no finalzinho, quase nem entra... talvez ano que vem eu olhe pra isso aqui e pense: FARIA DIFERENTE. mais cedo vi a lista de 2008 e daria uma mudadinha (o último disco do tv on the radio, outra banda que nunca curti, é bom demais e acho que merecia chutar o raconteurs de lá...).

tiro meu chapéu também para otto (quem diria!), julie doiron (nunca foi ruim e boto a mão no fogo: nunca será!), phoenix (hits acachapantes), céu (muito bonito), rachel grimes, richard hawley (eterno), raveonettes (meio anêmico de primeira, mas um dos mais divertidos do ano). teve muito cd de gente que curto que foi bom, mas meeiro. tipo kings of convenience, regina spektor, john frusciante, sondre lerche, brendan benson, sonic youth, madeleine peyroux. o air tem horas que parece que vai te TIRAR DO PLANETA TERRA - e em outros momentos é plain boring. achei bem inferior ao último, acho que na real isso que me chateou mais nesse disco. fazer o quê se o SERUMANO vive na comparação? ah, um beijo pro lightning dust.

dou parciais do que foi meu ano musical de 2009 (atualizo quando ele se encerrar). direto do lastfm:

bandas mais ouvidas:

1. aimee mann
2. wilco
3. marissa nadler
4. she & him
5. yeah yeah yeahs
6. the beatles
7. bill callahan
8. bob dylan
9. smog
10. goldfrapp

discos mais ouvidos:

1. sky blue sky, wilco
2. volume one, she & him
3. it's blitz, yeah yeah yeahs
4. sometims i wish we were an eagle, bill callahan
5. little hells, marissa nadler
6. @#%&*! smilers, aimee mann
7. whatever, aimee mann
8. songs iii: bird on the water, marissa nadler
9. seventh tree, goldfrapp
10. when, vincent gallo

músicas mais ouvidas:

1. brand new start, little joy
2. agoraphobia, deerhunter
3. elephant gun, beirut
4. hysteric, yeah yeah yeahs
5. sky blue sky, wilco
6. either way, wilco
7. metal heart, cat power
8. impossible german, wilco
9. sentimental heart, she & him
10. this is not a test, she & him

sábado, 28 de novembro de 2009

id do it again

it hurts so bad
just like i knew that it would
but i'd do it again, i'd do it again if i could.
but i'd do it again, i'd do it again if I could.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

we wont ever let them win (ou não rs)

You And I Misbehaving
Tilly And The Wall



Oh Darci, Darci don't look so sad
Don't let the daytime get you down
Because we will be wild like children
Once the black has veiled this sky
No pushing buttons, no telling lies
No pointed fingers trying to keep you quiet
Just you and I misbehaving
Oh trying our best to feel alive
We won't ever let them win

When we are younger oh our hearts are so much bolder
The pressure is not as great
We floated weightless through the tops of trees
But as we get older oh our vision becomes blurred
And then the fog it slips right in
Now you're wondering how oh yeah,
You're wondering how you ended up here
How you end up here

The hateful, hateful tough little boys
That move their lips whenever you're around
So smart just shouting answers (shouting answers)
I guess their fathers taught them well
So sit real still they've got to size you up
Don't move your mouth
They don't like when you talk
They're trying their best to define you (to define you)
They're trying their best to keep you down
We won't ever let them win

Because this world you know it can get so crazy
All these people talk a lot
They know this, they know it all
What a drag
But you know there will always be some oddball singing
Just remember to sing along, yeah you better start singing a long

This place could be so beautiful
You just can't let them pull that cloth over your eyes
Just keep on screaming
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba
Bop bop ba, bop bop ba

(curto d+ a primeira metade do WILD LIKE CHILDREN. pena que a banda nunca entregou mais nada nesse nível. e eu sou/adoro esse batidão nas músicas, vide SINGLE AGAIN do ff. BATIDAO QUEM NAO CURTE).

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

mantra das possibilidades (w.wildner)

Minha vontade é ser bonito
Mas eu não consigo

Eu sempre volto atrás
Eu sempre volto atrás
Eu sempre volto atrás

Sonho em ter cabelo comprido
Mas eu não consigo

Eu sempre corto mais
Eu sempre corto mais
Eu sempre corto mais

Meu desejo é estar contigo
Mas eu não consigo

Eu sempre fico em paz
Eu sempre fico em paz
Eu sempre fico em paz

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2008

O ano do tá ruim tá ótimo. To be continued...

Top 10 artistas 2008 (mais ouvidos)

1) Aimee Mann
2) Radiohead
3) The Beatles
4) Portishead
5) Carla Bruni
6) Cat Power
7) Julie Doiron
8) Coldplay
9) John Frusciante
10) Marianne Faithfull

Top 10 discos 2008 (mais ouvidos)

1) The Forgotten Arm, Aimee Mann
2) Lost in Space, Aimee Mann
3) Quelqu'un m'a dit, Carla Bruni
4) OK Computer, Radiohead
5) Whatever, Aimee Mann
6) I'm With Stupid, Aimee Mann
7) Blue, Joni Mitchell
8) No Promises, Carla Bruni
9) Dummy, Portishead
10) Moon Pix, Cat Power


Top 10 músicas 2008 (mais ouvidas)

1) Metal Heart, Cat Power
2) Those dancing days are gone, Carla Bruni
3) Le ciel dans une chambre, Carla Bruni
4) It's Over, Aimee Mann
5) Freeway, Aimee Mann
6) 31 Today, Aimee Mann
7) Video, Aimee Mann
8) Stranger Into Starman, Aimee Mann
9) Humpty Dumpty, Aimee Mann
10) Deathly, Aimee Mann

MELHORES DO ANO - música

1) @#%&*! Smilers, Aimee Mann

Desculpe não surpreender no top one. Minha amiga Nina, que ouve música na sussidão, fica dizendo que sou obcecada com a Aimee, mas não é bem assim. Quando você tem a expectativa no alto é mais fácil se decepcionar, né? Eu sei que escuto mil vezes, porque sei que Aimee tá nas sutilezas, mas que seja: Smilers é um cd tão bom quando o predecessor, The Forgotten Arm (One more drifter in the snow é café-com-leite, ta?), e isso é big deal para mim. Disco do ano com folga e sobra.


2) Seventh Tree, Goldfrapp


3. Oracular Spectacular, MGMT


4. Third, Portishead

5. Music Hole, Camille

6. Viva La Vida, Coldplay


7. Dreaming of Revenge, Kaki King

8. Microcastle / Weird Era Cont., Deerhunter

9. Lost Wisdom, Mount Eerie

10. Consolers of the Lonely, The Raconteurs

Outros destaques: Lil Wayne (The Carter III), Hot Chip (Made in the Dark), The Killers (Day & Age), Man Man (Rabbit Habits), Ladytron (Velocifero), Crystal Castles (homônimo).

Top 5 músicas de 2008 (só hit)

1) Time to pretend, MGMT
2) Life being what it is, Kaki King
3) Agoraphobia, Deerhunter
4) Viva la vida, Coldplay
5) That's not my name, The Ting Tings


CINEMA

Vi tão poucos filmes este ano que me arrisco somente a fazer um top 3 totalmente errático. I mean, Wall-E é o rei inconteste deste ano, mas os outros dois são filmes interessantes com muitas falhas. No fim das contas, acho os dois BONZÕES porque o lado bom suplanta o lado ruim de longe, mas coisas melhores devem ter rolado em 2008. Menção honrosa para Senhores do Crime e também A Espiã. E, pq não, Vicky Cristina Barcelona.

1) Wall-E
2) Sinedoque, Nova York
3) Paranoid Park
LITERATURA

Escritor do ano: KURT VONNEGUT

quarta-feira, 26 de março de 2008

cavalos

qualé com a obsessão artística com cavalos? obviamente estou falando da gringa - pelo menos não me lembro de ter ouvido nenhuma canção falando que sonhou com um cavalo na língua mãe, ultimamente... mas para os anglófonos isso parece corriqueiro... senão, vejamos.

ontem eu estava ouvindo o third, do portishead, de novo. é tipo a terceira vez que escuto e as coisas ficam melhores, mas não mudam muito, tanto que desde a primeira audição a música que eu gosto mais é 'the rip'. e ontem deitadinha, que reparei pela primeira vez nos versos "white horses/ they will take me away".

a primeira coisa que me lembrei foi da pj ("horses in my dreams/ like weaves, like the sea" etc) e logo depois na horses dos rolling stones - que surgiu da primeira frase que a marianne faithfull falou quando saiu do come: WILD HORSES COULDN'T DRAG ME AWAY. no mesmo dia estava ouvindo belle and sebastian, depois de muito tempo, e daí enquanto cantarolava "get me away from here, i'm dying" estava vendo o encarte do if you're feeling sinister e por um acaso meus olhos pararam em judy and the dream of horses:

Judy, let's go for a walk
We can kiss and whatever you want
But you will be disappointed
You will asleep with ants in your pants
Judy, you're just trying to find and keep the dream of horses
And the song she wrote was Judy and the Dream of Horses
Dream of Horses
You dream of horses

judy é a garota que se doou para os livros e se dedicou a ser a número 1 e de repente se rebelou... essa musica é um pouco intrigante, eu acho. ela dorme sobre um livro e sonha com uma garota que roubou um cavalo, depois escreve uma canção chamada exatamente judy and the dream of horses, que já no primeiro versos dizem ser "the saddest song"...

a coisa fica mais dramática se você pensa em gente como bat for lashes ou my brightest diamond, com suas photoshoots cheias de cavalos... bat for lashes diz: horse and i, we're dancers in the dark (outra imagem, por sinal, muito batida em músicas e filmes, essa de dançar no escuro). my brightest diamond (adendo, acho esses dois nomes artísticos beeem fraquinhos, mas em música acho que bat for lashes tá na frente) lançou em 2006 seu primeiro disco, bring me the workhorse. nas fotos, ela e um cavalo preto, que também aparece, face to face, no ep disappear. em 2007 saiu o disco com remix, tear it down, que traz um esboço de dois cavalos na capa. na estréia duas músicas citam cavalos, riding horses e workhorse.






patti smith lançou horses, múm tem o HIT i was her horse, vaselines tem o the day i was a horse e por aí vai. mas são um pouco diferentes desses cavalos como visões, como forças da natureza, de liberdade (talvez o da patti tenha 1 pouco disso).

para ver uma lista mais country-boy de músicas de cavalo: http://www.potomachorse.com/songs.htm

pra ficar na área da poesia, sempre bom lembrar que ariel da sylvia plath é sobre um cavalo:

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.

God’s lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees!—The furrow

Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,

Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks——

Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else

Hauls me through air——
Thighs, hair;
Flakes from my heels.

White
Godiva, I unpeel——
Dead hands, dead stringencies.

And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child’s cry

Melts in the wall.
And I
Am the arrow,

The dew that flies
Suicidal, at one with the drive
Into the red

Eye, the cauldron of morning.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

janeiro de 2008


o ano começou eclético; bem no comecinho vi i'm not there (badalado mas nem tão bom assim filme do todd haynes sobre o bob dylan) e o elevador da morte, um relançamento oportunista com a naomi watts pré-mulholland drive. é tipo muito ruim. uma garota na comunidade da atriz no orkut comentou que esse filme faz colheita maldita virar arte, e ela não estava mentindo! comprei o filme por 9,90 nas americanas, no meu plano de ter o máximo da filmografia da watts. paguei 11,90 em a passagem, que acho ruim também, e nem dá pra rir,com toda aquela pretensão! i'm not there vi numa sessão no pc de munique com uma legenda totally brinks, feita por algum analfabeto. valeu, nos salvou de uma legenda em espanhol!

das sessões de musicais que continuo fazendo esse ano com a galere, viem janeiro três fred&ginger: ritmo louco, vamos dançar? e ciúme, sinal de amor. nenhum deles supera, ainda, o picolino, e cíume... é francamente o musical mais sem inspiração dos que vimos até hoje. ok, já era fim de carreira da dupla (juntos), mas isso não justifica. o filme é feio (roupas feias, cores feias, ginger esquisitérrima), não tem muita dança, o plot é chatinho (seria essa coisa do casamento, especulamos?). ainda vimos gigi e my fair lady(ainda das minhas aquisições das americanas, comprei um dvd que vem esses dois e mais sinfonia de paris, promoção meio gaydacu, mas que jeito) - achei gigi melhor. my fair lady é mais longo que um dia de fome e nem aproveitam todo potencial da audrey. ainda teve, pra fechar, desfile de páscoa, um bom filme comfred (já velhinho hehehe) e judy garland, o primeiro que vejo com a ann miller nos seus tempos de dançarina. gastei um tempinho da minha vida revendo a roda da fortuna, que aluguei para fazer cópias hehehe.

fora isso, finalmente conclui a trilogia do poderoso chefão (sim, nunca tinha visto). o último é aquela coisa arrastada, meio sem ritmo, mas no todo é legal, sim. consegui até superar a sensação do primeiro filme, que era totalmente estranha, do tipo: por que alguém se daria ao trabalho de filmar isso, não traz NADA de novo (não estava sequer emocionada com atuações). fiquei pensando se eu mesma já não tinha filmado o livro demario puzzo na minha cabeça... vi PACTO DE SANGUE, um clássico noir, excepcional, mais uma prova de que billy wilder dava de mil em muito "diretor de arte" por aí. impressionante como o wilder conseguia fazer excelentes comédias, romances, filmes de suspense, versatilidade era o nome dele... assisti A PRIMEIRA NOITE DE TRANQUILIDADE, o terceiro e último filme da primeira leva do zurlini... é de 1972, protagonizado pelo alain delon (no papel de um professor entediado) e achei o mais fraco dos que vi. por fim, PICNIC (férias de amor), com william holden e kim novak, que é direto como um murro no queixo. a kim novak, mesmo sendo "grande", que você olha e não dá nada, quando começa a dançar se mexe com uma leveza insuspeitada... e protagoniza uma linda cena com o holden, superdelicada e sensual.

fui ao cinema somente três vezes, da primeira pra ver desejo ereparação que, apesar desse nome brinks é um bom filme, repetindo otime do também bom orgulho e preconceito (até a trilha sonora ta com omariannelli de novo, para nossa sorte). não posso deixar de comentar oque todos falam: o plano sequência do final da guerra, os soldados na praia esperando pra voltar pra casa, é fantástico, lindo e já valeria o ingresso. as outras vezes foram em sessões brinks-da-cena-produção no cinema de arte, across the universe. o filme é meio high school musical dos beatles, mas é bonitinho e o novo do gus van sant, paranoid park, um pouquinho abaixo do elefante, mas ainda assim um bom filme (espero retomá-lo aqui quando for falar da frances white...)

na parte LITERATURA (kkkk), o destaque fica com o KURT VONNEGUT, que já é algo que 2008 me deu. quase comprei o livro com nina, na nossa sessão de compras na saraiva, mas achei o preço abusivo para um pocket (fica dica lp&m, os pockets estão muito caros! pra fazer uma comparação, os livros da barnes&nobles que a saraiva vende, não sãopocket mas são tipo 'edição barata' e saem por uns 12 reais, e a l&pm ta fazendo os dela por r$18, r$20, que isso!). no dia da sessão dylan no apê de muni, vi breakfast with champions dando mole e dai peguei emprestado. li num pulo e adorei (mas sobre isso aqui). meu próximo passo foi comprar dois livros dele num sebo mineiro. o critério que usei pra escolher foi a auto-avaliação do vonnegut. ele deu c pro"café da manhã", então imaginei que os que tinham 'a' deviam ser sensacionais. minha conclusão é que a gente ia ser ótimos amigos que ficam debatendo e discordando nos detalhes. o pássaro na gaiola tem algumas boas idéias, mas a escrita não é tão vigorosa, muito menos o humor. esse título ótimo me encheu de promessas, quase todas não cumpridas. atenção, não digo que não vale a pena ler, só estou comentando que não correspondeu às minhas expectativas. o outro vonnegut, galápagos é bem nessas também: repetição, boas idéias e coisa e tal. de uma carta não-enviada para thiago:

"ele é o precursor do Douglas Adams só que melhor em vários sentidos (o D. é mais engraçado, acho, porque o K. toca mais fundo, acaba que a graça fica um pouco melancólica, às vezes). enfim, ele tem um senso de humor humanitário, generoso sempre, exatamente meu tipo de gente. infelizmente, ele morreu em abril passado. acho admirável alguém usar como epígrafe uma citação da anne frank ('apesar de tudo, ainda acredito que as pessoas, no fundo, são realmente boas'). é chocante essa citação existir e a própria anne mostrava certa admiração por não ter desistidode seus "ideais impossíveis". no ensejo, uma citação do k:

hello, babies. welcome to earth. it's hot in the summer and cold in the
winter.it's round and wet an wounded. at the outside, babies, you've got about a
hundred yearshere. there's only one rule that i know of, babies - god damn it,
you've got to be kind.

esse era mais ou menos o mesmo conselho da avó do bob dylan: seja gentil.

dentre os outros livros do mês: persuasion, da jane austen. comecei o ano lendo esse, ainda em itaparica. provavelmente o austen mais fraco que já li, apesar dos comentários na introdução sobre o valor da "maturidade" da obra etc, é arrastado e opaco; ainda assim, há pontos interessantes. a obra-prima definitiva da jane certamente é orgulho e preconceito, só me resta ler emma pra poder confirmar isso irrestritamente. ainda li aquela novelinha que também já comentei aqui, o terceiro homem, do graham green, leitura de meia horinha extremamente agradável.

MUNDO MUSICAL - aviso de saída que só trato de downloads. comprar cd, digam o que disserem, infelizmente já não faz mais tanto sentido pra mim. comprei o the reminder no final do ano e depois fiquei me perguntando pra que fiz isso. NAO TENHO RESPOSTA, FIZ NA LOUCA. ter o cd não me trouxe nada a mais, me contento pensando que ajudei a feist a comprar o pão, mas essa é uma guerra perdida.

bom, não há muitos destaques de 2008. o ano começou ANÊMICO. ok, o los campesinos novo é legalzinho, o hot chip me surpreendeu ao não me decepcionar (rsrsrsrs), tem o sons and daughters que é bom, na ponta por enquanto ainda os cantores-compositores stephen malkmus e jason collett. ainda to esperando os discos realmente bons, FODOES e tal. ainda to esperando a aimee mann. de resto, baixei mais uns 30 discos esse ano, tudo coisa antiga (mais ou menos) pra me botar em dia com a vida. o destaque é que finalmente ouvi o quase-primeiro rilo kiley -take offs and landings - e gostei MUITO (farei um update do meu relacionamento com a banda em breve) e o midnight juggernauts do ano passado, primeiro e-disco que dei nota 4 no rym kkkkk. logo no início também descobri outro disco do ano passado que não tinha ouvido, o da suzanne vega, beauty&crime, uma belezinha simples sobre nova york(dizem que a pegada tá mais pop rsrsrss) e o radio dept LESSER MATTERS otimo disco pra se ouvir na estrada (pela manhã). para saber o que mais andei ouvindo em janeiro: rym.com/~lady_lazarus

sábado, 9 de fevereiro de 2008

pra q isso

how do you sleep, by john lennon

So sgt. pepper took you by
Surprise
You better see right through that
Mother's eyes
Those freaks was right when they
Said you was dead
The one mistake you made was
In your head
How do you sleep?
Ah how do you sleep at night?
You live with straights who tell
You you was king
Jump when your mamma tell
You anything
The only thing you done was
Yesterday
And since you've gone it's just
Another day
How do you sleep?
Ah how do you sleep at night?
A pretty face may last a year
Or two
But pretty soon they'll see
What you can do
The sound you make is music
To my ears
You must have learned
Something all those years
How do you sleep?
Ah how do you sleep at night?


nada como corações amargurados; pra que john foi colocar essa música cruel e mesquinha num disco lindo eu não sei... ou melhor...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

mantras

1.
that there
that's not me
i go
where i please
(...)

in a little while
i'll be gone
the moment's already passed
yeah it's gone
and i'm not here
this isn't happening
i'm not here
i'm not here

2.
Well there're so many sinking now
You've got to keep thinking
You can make it thru these waves

3.

When the dog bites, when the bee stings
When I'm feeling sad, I simply remember
my favourite things!
and then I don't feel so bad!


quinta-feira, 22 de novembro de 2007


here i come when i better go
i say yes when i ought to say no

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

da maldade inerente à música pop - to de brinks, claro. quem acha isso fora de brinks simata bjs.

eu nunca gostei muito do rilo kiley. achava uma banda ok, apenas, que dava pra escutar sem maiores conseqüências. não desagradava muito, não agradava muito. quando ouvi o more adventurous, primeiro disco da banda em que botei as mãos (metaforicamente falando, claro), cantarolava um refrão ou outro.


vieram os tempos de vacas magras, hd cheio e falta de mídia, deletei o cd. nunca me fez a menor falta. tenho aqui o jenny lewis and the watson twins, que é um trabalho paralelo da vocalista do rilo kiley, a ruivinha-fofinha-brinks jenny lewis. costumava ouvir mais esse disco, que tem uma pegada country gostosinha e assobiável - mesmo que, claro, não seja nada excepcional ou bombástico (a vida não é feita só de ***obras primas*** e ***arte*** não é mesmo?).

jenny lewis and the watson twins

ah, bom. saiu o novo disco do rilo kiley um tempinho atrás. eu resolvi baixar, estava na vibe de conferir todos lançamentos importantes ou de bandas que eu conhecesse um pouquinho que fosse. ouvi o disco e achei legal. novamente, nada de demais (vou parar de repetir isso). só era um pouco a mais do que eu esperava (tipo que nem aconteceu com os novos do interpol e do bright eyes, quando você não espera nada, qualquer coisa é lucro né? que o diga a keren ann). fiquei chocada foi com a repercussão. os fãs fazendo os chocados ("que música pop" - não entendi direito, o rilo kiley era experimental antes?; "vai virar uma gwen stefani da vida", não vou comentar direito, gosto da gwen). oi gente, ponto um: música pop é bom. ao diabos com essa mania de fazer isso sempre soar perjorativo (digo o mesmo pros idiotas que estão preocupados em dizer que friday night lights, a série, não é um drama teen, como se isso, por si só, fosse uma ofensa).

tudo bem, tá mais animadjenho, cantarolante, mais gostosinho enfim. não vou dizer *acessível* porque isso a banda sempre foi, pra quem conseguia passar pela primeira audição insípida, ou pop, porque, oras, isso sempre foi, ainda que fosse um pop eivado de folk, assim, bem de leve... eles curtem carregar no *indie* na frente (tá mais pra indie rock que indie pop na minha opinião, se quiserem usar esse tipo de rótulo que tem INDIE na cara).

fiquei vendo numa comunidade no orkut (nada contra as comunidades dos fãs do rilo kiley, cá pelas minhas contas nunca vi uma comunidade de banda no orkut que não fosse cheia de idiotas, o problema está no mundo ok. mas os do radiohead estão pra se superar, com toda essa conversa sobre Arte, com a maiúsculo), ai, céus, esses parênteses estão me destruindo. sim, sim, tinha um tópico nessa comunidade de antes do disco ser lançado (ou vazado), com um trecho de uma música, que provocou indignação e choque, gente falando que ia sair da comunidade, que o cd ia ser uma merda. fiquei tentando adivinhar que música seria, a pior realmente acho que é "the moneymaker", apesar do fator brinks e tal. abri o link e era "give a little love", adorei essa música?

bom, só me resta aqui fazer uma consideração, que já fiz na página do grupo no last fm: I must be a pop bitch, porque se isso é o maléfico pop que consome mentes, "toca na novela" e é "modinha na mtv" e o execution of all things é uma banda folk madura artística, BOM, fico com o pop, que "avança e draga".

agora um ps agradável. estava vendo o primeiro clipe desse novo disco da banda, e é "silver lining", a faixa que abre o cd. o clipe traz a representação de um casamento entre a jenny lewis e o guitarrista da banda (não lembro o nome). os dois namoraram anos for true e ficam brinks no clipe, a jenny larga ele no altar e tal. achei fofinho engraçadinho, é meio brinks a parte de interlúdio também, com a banda em um estúdio, ela com uma roupa de garçonete erótica (?), tocando piano, ele sentado no piano dedilhando a guitarra (o riff lembra um pouco "my sweet lord", do george mesmo, em alguns momentos, mas essa música é tipo plágio de outra que não lembro agora...), e um coral de três pessoas vestidas de dourado. curti. só não sei se rio ou choro ao pensar que os versos "And i was your silver lining/ as the story goes/ i was your silver lining but now i'm gold" possam ser uma referência a casamento...



jenny lewis style

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

eu já sabia que o grande sucesso da kate bush chamava "wuthering heights". eu também sabia que ela era um clássico das cantoras-compositoras e foi isso que me levou a buscar um disco dela (o aclamado hounds of love). oi, não fez muito a minha. achei primórdio da tori amos. a voz, o tom, me desagradou um pouco, e achei meio datado. fiquei de ouvir com mais cuidado, o que nunca fiz, perdi o cd quando hd estragou, e só agora resolvi correr atrás de novo. só que resolvi pegar o primeiro, the kick inside. "wuthering heights" está nesse cd. as principais observações continuam valendo (não me agrada muito a voz dela e acho o som algo datado), mas dessa vez gostei mais. depois dessa incursão pela discografia do bruce springsteen, acho que estou lidando melhor com o instrumental que me lembra outra época (geralmente 80s mesmo...) - não consegui por isso de um modo melhor... a kate bush ainda tem algo que me lembra a joanna newsom (oi, morri). mas, bem, eu fui ouvir o disco de peito aberto, e sem conhecer muito da trajetória nem nada dela, e não sabia que constantemente ela se influencia por filmes, músicas, livros etc... quer dizer, imaginava que "wuthering heights" não poderia ser outra coisa que não uma referência ao livro, mas fiquei meio chocada com o quão descaradamente explícita a música é. logo depois, caí de amores, porque não tem como não gostar de uma música sobre os morros dos ventos uivantes, e a letra capta bem e tudo, mas sempre fico cantando e rindo, restou algo de uma incredulidade engraça que não condiz com o estado de espírito da estória de heathcliff e cathy...

Wuthering Heights

Out On the wiley, windy moors
We'd roll and fall in green
You had a temper, like my jealousy
Too hot, too greedy
How could you leave me
When I needed to possess you?
I hated you, I loved you too

Bad dreams in the night
They told me I was going to lose the fight
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering Heights

Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window
Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window

Oh it gets dark, it gets lonely
On the other side from you
I pine alot, I find the lot
Falls through without you
I'm coming back love, cruel Heathcliff
My one dream, my only master

Too long I roam in the night
I'm coming back to his side to put it right
I'm coming home to wuthering, wuthering
Wuthering Heights

Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window
Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window

Ooh let me have it, let me grab your soul away
Ooh let me have it, let me grab your soul away
You know it's me, Cathy

Heathcliff, it's me, Cathy come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window
Heathcliff, it's me, Cathy come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window
Heathcliff, it's me, Cathy come home
I'm so cold

Foto do filme O Morro dos Ventos Uivantes, a versão com o Laurence Olivier (curto muito), de 1939. Essa versão se destaca justamente pelo Laurence, que está brilhante no papel de Heathcliff, mas essa moça que faz a Cathy (esqueci o nome) é totalmente dispensável e irritante. O filme tem muitas elipses que não prejudicam a estória, só falta um pouco mais de força, no final das contas... o filme tem outras três versões (uma inclusive feita pela mtv, rs) e teve até telenovela baseada nele também... o que é uma estória imortal, não é mesmo, minha gente?

agora se liguem no estilo do clipe:

quarta-feira, 18 de julho de 2007

why don't you lay your head down in my arms?

são 4:16AM e espantosamente a keren ann salvou minha madrugada (dores nas costas, na mão direita e tédio). sério, depois do not going anywhere e do la disparition, que achein insossos, não esperava muita coisa ao baixar o disco novo. foi uma surpresa agradável.

vejam o vídeo de lay your head down, a faixa mais bonita do cd, linda linda linda. passei os últimos 15 minutos ouvindo essa música, bestificada.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

The Reminder vai te deixar na mão

CD novo de Feist na área - oba oba! Feist tem um ótimo cd de estréia, Let It Die, uma dos melhores exemplos de "gostosinho de ouvir". Ok, passei por isso há um tempo atrás e só agora me sentei pra fazer uma análise do disco como um todo, para além (ah, como adoro isso) de meramente apontar quais faixas me desagradavam e quais achei boas.


O cd começa de maneira arrebatadora. Desculpa usar adjetivos a torto e a direito, personalizando tudo. Isso é apenas um blog. Não quero brinks de jornalismo, jamais. Já faço isso na faculdade. Voltando: So Sorry, I Feel It All e My Moon My Man fazem você acreditar que Feist se superou. É uma delícia, e estamos apenas começando! Mas aí vem a freqüência matadora, e totalmente no mau sentido: The Park e The Water, juntinhas, quase dão o golpe de piedade no cd. Sem ter nem pra que, acontece uma quebra de ritmo abrupta, sem sentido, desnorteante. Creio não estar exagerando quando digo que The Water é a pior música da carreira de Feist, uma tortura que se arrasta por 04:20m, que acabam sendo hipnotizantes (imobilizantes cairia melhor). Melhora um pouco com Sea Lion Woman. Quero deixar claro que não é uma questão de músicas calmas e músicas "agitadinhas". Let It Die tinha músicas lentas de qualidade, como Lonely Lonely e Secreat Heart. O The Reminder tem algumas razoáveis, como Brandy Alexander, mas não chegam à mesma qualidade. Enfim, o disco melhora um pouco, você prende a respiração de ansiedade, conta e canta 1 2 3 4 (infâmia, desculpem)... Mas aí vem um final sem graça, chatinho, sem brilho... Feist, que acontece. O Cd deixa a desejar, mas é escutável (a bem da verdade, estou escutando bastante) e as músicas boas valem a pena.


Apesar disso, adoro a Feist e ainda reluto em diminuir a nota que dei no rate your music pra ela (3,5 de 5).

post-scriptum - apesar da nota, tá em ótima colocação na minha lista de 2007, só porque escutei e escuto bastante e gostei, com todos os pesares. e o let it die era estréia só em gravadora maior, tem o monarch, qeu acho que vale nem que seja só por "it's cool to love your family"...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

acho que estou deprimida

Video
Aimee Mann

Tell me why I feel so bad, honey
TV's flat and nothing is funny
I get sad and stuck in a cone of silence
Like a big balloon with nothing for ballast
Labeled like a bottle for Alice
Drink me down or I'll drown in a sea of giants

And tell me, "Baby, baby, I love you
It's nonstop memories of you
It's like a video of you playing
It's all loops of seven-hour kisses
Cut with a couple near-misses
Back to the scene of the actor saying:
'Tell me, baby, baby – why do I feel so bad?'"

Tell me why I feel so bad, honey
Fighting left me plenty of money
But didn't keep the promise of memory lapses
Like a building that's been slated for blasting
I'm the proof that nothing is lasting
Counting to eleven as it collapses

And tell me, "Baby, baby, I love you
It's nonstop memories of you
It's like a video of you playing
It's all loops of seven-hour kisses
Cut with a couple near-misses
Back to the scene of the actor saying:
'Tell me, baby, baby – why do I feel so bad?'"

Baby, baby, I love you
Baby, baby, I love you
But baby, I feel so bad

segunda-feira, 16 de abril de 2007

It's Alright, Baby

It's Alright, Baby
Komeda

From patience and from pain
The one who never ends will gain.
The lovely notes from score to score
Become the sound of the general score?

I'm tired of being wasted
I'm so sick of being tired.
Yeah, but sure that love existed
Long before the first word was pronounced.

From patience and from pain
The one who never ends will gain.
The lovely notes from score to score
Become the sound of the general score?

I'm tired of being wasted
I'm so sick of being tired.
Yeah, but sure that love existed
Long before the first word was pronounced.

Chorus
Woo Hoo It's alright, baby
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, sugar
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, honey
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, it's OK
It- is- so- crazy

To put it all in place
Requires a special grace
A single gesture of sweet emotion
A single notion of bitter potion

A strawberry-flavored composition
Is all that it takes
When the lyrics stand on end
And the head is full of conclusions of a simple mind

Chorus
Woo Hoo It's alright, baby
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, sugar
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, honey
It's a crazy world, it's a bit absurd
Woo Hoo It's alright, it's OK
It- is- so- crazy

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Ai meu Deus! Carla Bruni e Yeats estão roubando a minha vida!

A Carla Bruni nasceu numa rica família italiana. Com uns 5 anos, foi morar na França. Obviamente, teve uma criação privilegiada, estudou em bons colégios etc. Chegou a estudar na Sorbonne. Aos 20 anos, resolveu virar modelo. Sim, porque além de rica, era linda. Viveu a vidinha de top, teve affairs, ficou ainda mais rica... Daí um dia, em 2002, resolveu lançar um disco. Nessa hora você para e pensa: peraí. Isso é a vida de tédio. Isso é Wanessa Camargo lançar um cd, ou até o marido (ex) da Britney cantar funk carioca; algo parece deslocado. Mas daí o cd dela faz sucesso - entre o público e também entre a crítica. Até aqui no Brasil ela teve um certo destaque, puxado pela música da novela, a deliciosa Quelqu'Un M'A Dit.




Esse primeiro disco da Carla é uma simpática incursão naquilo que é conhecido como nova chanson. A nova chanson nada mais é do que novos artistas tocando a velha e boa chanson. Bons representantes da nova chanson são a Corálie Clément, seu irmão e mentor Benjamin Biolay, a Keren Ann (às vezes, rs). A Charlotte Gainsbourg também tem um pé aí, embora o seu disco seja mais elaborado que o desses artistas. O da Carla Bruni é bem simples, uma voz suave e bonita, violão, arranjos singelos. É o tipo de disco que você coloca pra tocar e vai passando, rapidinho, rapidinho.

Nesse ano, Carla lançou seu segundo disco, No Promises. Eu não estava acompanhando notícias de produção e fiquei realmente surpresa ao ver que o disco era todinho em inglês; boa graça da chanson francesa é o fato dela ser francesa, afinal... Sussurrar em francês, por maior que seja o clichê, parece ter mais graça. Ouvi o disco uma vez, achei muito homogêneo e inferior ao primeiro.

Mas não deletei.

Ficava olhando a capinha, a Carla toda bonita no meio de vários livros, e resolvi dar outra chance. Uma vez é pouco, afinal. Dessa segunda vez, comecei a achar tudo melhor. Os arranjos (embora no todo ainda sejam muito homogêneos mesmo), o inglês e... as músicas, as letras! Daí a noob aqui finalmente foi ver o que se dizia do cd e me deparei com a notícia de que todas as músicas, todas, eram poemas que a Carla gostava, apreciava, e resolveu cantar. Fez as melodias, treinou inglês com a Marianne Faithfull e mandou brasa. Nas 11 faixas estão presentes 6 poetas: Emily Dickinson (três vezes), Yeats, W.H. Auden, Dorothy Parker (2 vezes cada), Walter De La Mare e Christina Rossetti (uma vez cada um).


Eu parei na Those Dancing Days Are Gone, a música que abre o cd, uma balada do Yeats. É sensacional, o poema, lindo, vívido, imagético, e a música é linda também. Estou andando com esse poema pra cima e pra baixo, tentando ler num ritmo diferente do da música, não porque o ritmo que a Carla dá seja ruim ou não, acho sensacional, mas só pra tentar entender como era, ou poderia ser. Ontem estava ouvindo umas mp3 com a Sylvia Plath fazendo leituras de sua poesia (não acho que ela lia muito bem, fazia muito a grave, e acho que perdia certos encadeamentos às vezes, enfim) e daí lembrei de tentar ver algo do Yeats, mas não achei essa.

Come, let me sing into you ear
Those dancing days are gone
All the silk and satin gear;
Crouch upon a stone
Wrapping that foul body up
In as foul a rag:
I carry the sun in a golden cup
The moon in a silver bag.

Curse as you may I sing it through;
What matter if the knave
That the most could pleasure you,
The children that he gave,
Are somewhere sleeping like a top
Under a marble flag?
I carry the sun in a golden cup
The moon in a silver bag.

I thought it out this very day,
Noon upon the clock,
A man may put pretence away
Who leans upon a stick,may sing, and sing until he drop
Whether to maid or hag:
I carry the sun in a golden cup
The moon in a silver bag.

O Yeats já cede o estribilho de bandeja, e amo as batidas do violão que acompanham quando a Carla fala cada uma das palavras do refrão, pronunciando cada sílaba com um cuidado de não-falante da língua. Estava vendo alguns poemas do Yeats e ele gosta muito de colocar essas repetições, de baladas. Até na outra poesia dele que a Carla canta, Before the World Was Made, isso acontece. Na música a Carla mistura essa última estrofe com a primeira, cantando fica assim:

Come, let me sing into you ear
(I thought it out this very day,
Noon upon the clock,)
All the silk and satin gear;
(A man may put pretence away
Who leans upon a stick)
May sing, and sing until he drop
Whether to maid or hag:
I carry the sun in a golden cup
The moon in a silver bag.

As partes entre parênteses são cantadas mais rápidas, por outras pessoas.


Acho que essa semana ouvi essa música mais de cem vezes; ela fica tocando na minha cabeça quando deito pra dormir, e penso nela quando estou escovando os dentes, e no meio de uma reunião o refrão vem à minha mente imperiosamente e eu não tenho outra saída a não ser cantarolá-lo (ou declamá-lo) e receber um olhar curioso, seguido de um sorriso cúmplice. É mágico.

Achei no youtube um vídeo que diz ser a promo dessa música. Não sei se oficial, mas é muito bonitinho, com cenas da Carla caminhando em Paris, parecendo bem caseiras, e a música tocando. Tem também ela cantando ao vivo sei lá onde. Acho que ao vivo perde muito, mas taí, não se perde nada vendo.


Those Dancing Days Are Gone - Promo


Those Dancing Days Are Gone - Ao Vivo

sábado, 10 de março de 2007

investida temática

dia desses estava conversando no msn sobre músicas com meu nome. não me lembro direito como surgiu o papo, algum comentário sobre goodbye, caroline, da aimee mann. eu comentei a verdade, de que existem muitas músicas com meu nome, ainda mais se considerarmos o diminutivo. ajuda o fato de que tenho a impressão de que na língua inglesa caroline é mais comum que carolina. mas é só uma impressão (ryan adams canta para carolina, os estados têm esse nome etc). nunca tive muitos traumas com meu nome terminar com -e e não com -a, que é considerado mais comum. não sei se já comentei aqui, mas minha mãe escolheu esse nome por sugestão de uma tia, inspiradas na princesa de mônaco (risos). quando era mais nova, gostava bastante de famílias reais, ainda gosto, e a de mônaco era a minha favorita, claro, mãe hollywoodiana, todos lindos e resplandecentes (vamos ignore user rainier). caroline era a minha princesa favorita (casar com seguranças e artista de circo é muito over, stephanie), até nascer alexandra, a filha caçula dela, que acho o máximo (fora de brinks).

isso foi uma digressão. voltando às músicas: sábado de tédio, coloquei caroline no soulseek pra ver o que aparecia. já conhecia a do beach boys e a do kaiser chiefs. resultado esdrúxulo, música de doom metal, punk pop, umas coisas anos 80, raça negra... destaco:

tarkio - caroline avenue; essa foi a primeira interessante. corri pro plugin do last fm e vi que é da banda anterior do cara do decemberists. aqui o nome é o que menos importa, obviamente, é o nome de uma rua e tals. achei a banda legalzinha, apesar desse nome medonho.
neil diamond - sweet caroline; aquela coisa meio oldie, mas achei caída.
splitsville - caroline knows; achei meio indie pop com tendência a twee no início. daí o cara começou a cantar com vozinha de natal. daí tudo passou a parecer de natal. aí ficou chato e acabou.
the jazz butcher conspiracy - caroline wheeler's birthday present; essa é legal, moderadamente divertida.
robert wyatt - to carla, marsha and caroline; interessante.
lou reed - caroline says I; boa.
girl in the garage - caroline, le jeu du téléphone ; francesinha, legal, suave.
john fair & daniel johnston - i did acid with caroline; HAHAHAHA. "i did acid with caroline, and we both have a real good time"
the go-betweens - caroline and I; bonitinha.
minhas preferidas ainda são a da aimee e a dos beach boys.
abç.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

recuperando, lá de 2005.


se nessa época eu já tivesse a síndrome de download, teria ouvido esse disco da pj muito antes, afinal era todo um (bom) artigo relacionando-o com meu favorito de todos os tempos e gêneros. refletindo, acho que deveria ter baixado anyway, mas como disse antes, fiquei satisfeita com o to bring you my love por um longo tempo... enfim, faz mais sentido agora.


tirado do site: www.wezen.com.br/wezine

A vida ao redor - n°5
Estranhas Histórias de Sabedoria
por Martim Vasques da Cunha

"I walk on concrete
I walk on sand,
But I can't find a safe place to stand"
PJ Harvey, "Big Exit"


"Eu ando sobre o concreto, eu ando sobre a areia, mas não consigo encontrar um lugar seguro para ficar". A frase é terrível, sem dúvida, e toda uma sensação de deslocamento, de exílio, de inaptidão - e, principalmente, de perigo - aparece, entre guitarras musculosas e um ritmo nervoso, no início do grande álbum de P.J.Harvey, "Stories from the city, stories from the sea". Geralmente, fazer rock-n´-roll é uma profissão quase masculina, mas, obviamente, isso é uma besteira. Ao mesmo tempo que temos um Neil Young ou um Lou Reed, existe uma Patti Smith ou então a própria Polly Jean Harvey, uma cantora inglesa nascida no vilarejo marítimo de Dorset.

Isto acontece na seção "guitarra - baixo - bateria - voz ", o quadrado sagrado do rock. A mesma comparação pode se fazer no setor "melodias leves e agradáveis com letras irônicas", no qual o mestre é, para pesadelo de muitos, o meloso Burt Bacharach. Muitos críticos acreditam que seu mais afinado discípulo é o elegante Elvis Costello, mas, infelizemente, ele perdeu o posto para uma moça de quarenta anos, loira, alta, e que briga o tempo todo com a indústria fonográfica americana: Aimee Mann. Há ainda um adendo: Mann é infinitamente melhor que seus mestres, não só por ser mulher, mas por ter uma ironia que chega ao patamar da sabedoria, uma sabedoria que, por sua vez, tem muito mais de Lou Reed do que de Burt Bacharach.

Tanto P.J.Harvey como Aimee Mann não ficam resmungando sobre como "o homem é um crápula safado e etc, etc, etc, etc" e todo aquele papo feminista que fizeram a fama de Gloria Steihem e estragaram talentos como Erikah Badu e Paula Cole. Parece que ocorre o contrário: elas gostam dos homens e, o melhor, gostam de falar sobre eles. E, na verdade, ambas sabem o quanto as suas vidas artísticas tiveram uma incrível reviravolta por causa de, justamente, dois homens.

No caso de P.J.Harvey, o homem foi ninguém menos que Nick Cave, o cantor australiano que virou uma lenda viva graças a músicas como "The Carny" e "From Her To Eternity", filmados brilhantemente por Wim Wenders em seu clássico filme "Asas do Desejo" (1988). "Stories from the city, stories from the sea" é uma reflexão do relacionamento que Cave e Polly Jean tiveram entre 1996 e 1998. Nesse tempo, Cave fez dois álbuns estranhos, "Murder Ballads" (onde dividia uma faixa com P.J.) e "The Boatman´s Call", em que ruminava o fim de sua relação com a inglesa. Enquanto isso, Polly Jean lançava "Is This Desire" (1998), seu disco mais sombrio, repleto de programações e sonoridades eletrônicas, muito diferente dos primeiros "Dry" (1993) e "Rid of Me"(1994), agressivos, rudes e prestes a explodir a qualquer momento. "Is This Desire" era um notável desenvolvimento, especialmente na canção "The River", uma das mais melancólicas já feitas. Mas o fantasma de Cave ainda a assombrava e a única solução foi se mudar para Nova York para acalmar os ânimos.

Mas, como já dizia Bono, "In New York you can´t forget, forget how to sit still" - e foi isso aconteceu com Polly Jean na Big Apple. Armada com uma guitarra, Harvey começou a compor as canções para seu novo álbum e, por uma estranha ironia, elas ficavam cada vez mais parecidas com músicas do mar, especialmente de sua cidade natal, Dorset. Para quem não sabe, Dorset é um vilarejo inglês que só se vê água por todo lado - e as ondas do mar influenciavam no ritmo e nas letras das composições de P.J..

Enquanto isso, no vale de San Fernando, um rapaz de 28 anos escrevia um roteiro para um filme de três horas de duração e que falaria sobre perdão, arrependimento, coincidências e chuvas de sapos. Seu nome era Paul Thomas Anderson, e o tal filme seria nada mais nada menos que "Magnólia"(1999), o épico sobre "coisas estranhas que acontecem o tempo todo". No exato momento em que estamos retratando-o, Anderson está literalmente empacado com uma passagem do roteiro: seus oito personagens chegaram a um ponto em que eles não sabem o que fazer. O próprio Anderson não sabe o que fazer. Ao fundo, ele escuta uma canção embalada numa voz dócil, calma, costurada em um piano melancólico, e, então, num desses fenômenos de sincronicidade que só ocorrem uma vez a cada cem anos ( para citar Vladimir Nabokov), vem a frase definitiva: "It´s not going to stop until you wise-up"(Não vai parar até você não se tocar).

Era Aimee Mann dando a solução para o problema. Imediatamente, Anderson colocou os personagens cantando a canção, além de enxertar várias vezes outras músicas como uma espécie de comentário sobre o que acontecia na tela. "O que eu queria fazer com 'Magnólia'", explica Anderson, "era, do mesmo modo que se adapta um livro para cinema, adaptar as canções de Aimee Mann para o filme, falando sobre os mesmos temas, como o medo da solidão e como você se sente inadequado em um mundo muito estranho". Ponto para Anderson: se há algo que Aimee Mann sabe falar como poucos é justamente o medo de se sentir sozinho, de ser um deslocado o tempo todo - de andar sobre o concreto, sobre a areia e não encontrar lugar seguro para ficar.

E deslocada era o que ela era na época. Sem contrato com nenhuma gravadora de grande ou médio porte (a última foi a A&M Records que, segundo Aimee, "sabotou o meu trabalho"), Mann se trancou em um pequeno estúdio e gravou algumas músicas com uma banda de amigos. O resultado foi uma fita-demo com cerca de 30 músicas que foram parar na mão de Paul Thomas Anderson graças a Michael Penn, marido de Aimee e produtor de bandas como The Wallflowers e Macy Gray. Anderson escreveu o roteiro de "Magnólia" em cima desta fita e, ao ver que o trabalho de Aimee havia se tornado o eixo do filme, convidou a cantora para fazer a trilha sonora.

"Magnólia", como todos sabem, foi um sucesso, e de repente, para os críticos de plantão, surgiu uma moça chamada Aimee Mann. Claro que ela não era uma amadora: Aimee havia conseguido um relativo sucesso nos anos 80 com a banda feminina Til Tuesday e seus primeiros discos solos foram elogiados pelos especialistas da indústria fonográfica. Mas, como a própria disse em uma entrevista à Spin Magazine, "eram trabalhos de alguém que ainda não tinha coragem de desafiar, de arriscar".

Assim, ela fez algo que poucos teriam coragem de fazer: criou a sua própria gravadora, a SuperEgo Records, e lançou "Bachelor n 2", o álbum final daquele fita-demo que Paul Thomas Anderson estava ouvindo há um ano. Desprezando as grandes gravadoras e distribuidoras, Mann promoveu seu disco somente pela Internet em seu site oficial (www.aimeemann.com) e, em menos de 2 meses, a HMV (uma das maiores redes de loja de CDs dos EUA) assinava um contrato de distribuição exclusiva. Isso não a tornou um estouro de vendas, mas permitiu a Mann uma liberdade criativa sem precedentes em sua carreira.

O mais interessante é que o trabalho de Mann não é nada experimental. É pura música pop, feita com habilidade de mestre e carinho de confecção. "Bachelor n 2, or the last remains of the dodo" é um álbum perfeito em sua totalidade, daqueles que você escuta com um prazer de decorar cada nota de guitarra, cada virada de bateria e, claro, o tom da voz de Aimee Mann, cantando de forma agridoce como é díficil manter um relacionamento entre duas pessoas e, muitas vezes, consigo mesmo.

Suas letras, assim como as de P.J.Harvey, podem ser definidas como estranhas histórias de sabedoria. Vejam como ela fala de remorso de uma maneira irônica e sutil nesta estrófe de "Red Vines":

"And tell me, would it kill you (E diga-me, isso vai te matar)
would it really spoil everything ( vai estragar tudo)
if you didn´t blame yourself ( se você não se culpar)
do you know what I mean?" (você está entendo o que eu quero dizer?)

O verso "Do you know what I mean" pode parecer comum já que todo o americano fala, como se fosse um maldito vício, esta expressão no final de cada frase (Os brasileiros também caem no mesmo erro com o famoso "né?" ou o horrível "cê tá me entendendo?"). Mas aqui Mann quer dizer algo mais: geralmente esta expressão é usada para enfatizar o que o interlocutor quer dizer; no entanto, nesta canção, "do you know what I mean" é, na verdade, "você sabe realmente o que estou querendo dizer?". De um simples clichê, Mann esmiúça o problema de todo o relacionamento: comunicação. As pessoas se encontram, se falam, conversam sobre aquilo, sobre o tempo, sobre o cachorro do vizinho, se olham, mas não se entendem. Aliás, ninguém se entende, é o que parece dizer tanto Aimee Mann como Polly Jean Harvey.

Observem "The mess we´re in", a sétima faixa do álbum de P.J.. Cantada em dueto com Thom Yorke do Radiohead, é uma típica balada de separação, mas que termina com uma dignidade incrível:

"What were you wanting? (O que você queria?)
I just wanna say (Eu só quero dizer)
Don´t ever change (Nunca mude)
I think we´ll never meet again" (Acho que nunca mais nos veremos de novo)

Os dois amantes aceitam que a possibilidade de nunca mais se verem é algo que acontece nesta vida. Pode parecer uma inversão de valores neste mundo materialista, dominado pela gana de ganhar e de vencer em tudo, seja na vida pessoal ou profissional, mas, às vezes, nem sempre uma perda é uma perda - pode ser uma vitória. Contudo, seria a vitória dos deslocados, dos exilados - os únicos que podem contar essas estranhas histórias de sabedoria. Para este seleto grupo, o reino deles não é deste mundo. Polly Jean Harvey e Aimee Mann conseguem ter a mesma visão afiada de gigantes como Bob Dylan, mas acrescentando um detalhe que nenhum homem possui: a compreensão total da Vida. Por mais que um ser do sexo masculino seja um gênio, ele vai fazer um esforço dos diabos para ter um pequeno vislumbre do Todo. Já a mulher tem aquilo que os investidores chamam de "investimento a longo prazo": é ela que detém o poder de dar vida, de procriar e fazer nascer a Humanidade. Para citar o velho e bom Charles Baudelaire, "a mulher é o único ser na face da Terra que pode jogar a mais brilhante das luzes ou a mais negra das trevas". É por terem todas as forças do mundo dentro de seus Espíritos é que elas são as únicas que detém a verdadeira sabedoria; são as mulheres que ajudam os homens a realizarem a verdadeira ação prática, a ação que transforma o mundo não em algo melhor, mas em algo mais compreensível.

E, como todo o ser humano, elas também podem ter suas falhas e seus remorsos. Aimee Mann capta isso com uma frieza de cirurgiã em "Just Like Anyone":

"So maybe I wasn´t (Então eu não fui)
that good a friend (aquela grande amiga)
but you were one of us (mas você era um de nós)
and I will wonder (e eu fico pensando)
just like anyone (como qualquer uma)
if there´s was something ( se havia alguma coisa)
else I could´ve done.(que eu poderia ter feito)
So maybe it´s true that (Então talvez seja verdade)
you cry for help (que você gritou por socorro)
was oh, so very faint (foi tão baixo)
but still I heard (mas eu ainda escuto)
and knew something was wrong (e eu sabia que alguma coisa estava errada)
just nothing you could (e nada você poderia fazer)
put your finger on ( para tampar com o dedo)
and I will wonder (e eu fico pensando)
just like anyone (como qualquer uma)
just like anyone" (como qualquer uma)

A simplicidade destas palavras talvez não podem ser entendidas em sua totalidade. Há um remorso que corroí a voz de Aimee que chega a ser comovente - ainda mais, quando na canção seguinte, "Susan", ela chega a acreditar na esperança que pode ser uma ilusão, "mas é muito bonita enquanto ainda está aqui". A vida é complicada, pessoal, parece dizer Aimee e Polly Jean, mas não custa aceitar ela como é. Este é o jogo e, ao mesmo tempo, a regra do jogo. Se no fim de "Bachelor n 2", Aimee Mann termina afirmando que o amado ou amada realmente faz as coisas acontecerem ( na antológica "You Do"), P.J. Harvey termina "Stories from the city, stories from the sea" com o medo de:

"You carried all my hopes (Você carregou todas as minhas esperanças)
Until something broke inside" ( até que algo se quebrou por dentro)

porém aceitando o mundo como ele é e não como deveria ser. Pois assim são as coisas que ficam, e não as coisas que passam: elas podem estar terminadas em um dia, mas recomeçadas no outro. Começar de novo é a primeira regra de todas as sabedorias. E somente as mulheres -"este continente obscuro da existência humana", como diria o doutor Freud - podem fazer isto realmente acontecer.

Martim Vasques da Cunha é escritor e jornalista.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

lembro que quando eu li a crítica do scream & yell sobre algum disco do snow patrol (o final straw, provavelmente), ri quando vi o comentário de que no futuro iriam lembrar do belle and sebastian como um grupo obscuro que tinha participado dos primeiros discos do snow.
aí hoje levei um susto: to ouvindo, já tem algum tempo, muito mais snow patrol que belle and sebastian.