quinta-feira, 6 de setembro de 2007

das duplas

quarta-feira fui à locadora para pegar os últimos discos de uma temporada de the west wing e de csi (não sabia as temporadas, ia ficar procurando os extras que me interessavam na capa). estava lá pensando: poxa, já que estou aqui vou levar um filme. ia levar o do zurlini que baixei mas não acho legenda, "a moça com a valise", mas não me lembrava de jeito nenhum do título (sabia que tinha valise e moça, em italiano, mas não tinha certeza da tradução). na tentativa de me esquivar de atendentes, fui pro laptop pra digitar zurlini e vê o que eles têm do cara. o laptop tava travado e desisti do filme na hora. fiquei vagando, pensando no que locar. talvez "viridiana"? "paris, texas", que baixei dublado e não consegui ver? hmm. daí vi "jules e jim", que já tinha paquerado antes, e decidi: é hoje. na hora que cheguei no caixa, o atendente me informou que, devido a uma promoção, eu ganharia uma locação gratuita. daí voltei, decidida a pegar um CLÁSSICO HOLLYWOODIANO. "matar ou morrer"? "a noite do iguana"? "núpcias do escândalo"? estava em dúvida quando vi "MARUJOS DO AMOR", um desenho de frank sinatra e gene kelly na capa, de marinheiros. quando vejo gene kelly, a batalha está ganha. levei.

thiago já tinha me recomendado esse filme tempos atrás, quando acabamos de ver "sinfonia de paris" (acertei dessa vez). pensei que, na pior das hipóteses, ia ver gene kelly por duas horas. assim que cheguei em casa propus a minha mãe que víssimos o filme ("Gente, esse é antigo! Frank Sinatra! Esse nem tem mais osso!" - sutileza). O filme conta as aventuras de dois marinheiros (Sinatra e Gene), durante quatro dias de licença do serviço em Hollywood. Gene é um cara expansivo, conquistador, fama de mulherengo. Está ansioso pra rever uma das namoradas, Lola, na estadia em Hollywood. Já Sinatra interpreta um cara tímido, retraído, sem jeito. Quando os dois saem do navio, Sinatra fica seguindo Gene e acaba exigindo que ele o ajude a arrumar uma garota (quem mandou Gene Kelly salvar a vida dele sem ele pedir...). Logo os dois se envolvem com uma criança que quer ser da Marinha, e ao deixá-lo em casa conhecem a tia, Susie. História pra lá, história pra cá, eis o que importa: temos aqui uma dupla, que funciona com um sendo o racional (Sinatra) e outro sendo o ímpeto (Gene). Gene é quem faz a história se mover, que a leva nas costas, que dá início aos acontecimentos; Sinatra só se deixa levar, é um personagem totalmente passivo. Eu não consegui criar uma identificação muito forte com nenhum dos dois. Tendo, no geral, a me identificar com o elo fraco - aqueles que não têm coragem, fibra, que são pisados. Mas nesse filme são muito extremos, afinal é um musical, e o personagem de Sinatra é meio bobalhão. Já o outro lado, costuma ter charme de sobra a oferecer. E jamais vou dizer que Gene Kelly não tem charme (sou Gene groupie), mas apenas não consegui nutrir grandes simpatias pelo personagem malandro. Na realidade, o filme todo me pareceu apenas OK. Vale a pena, mas não achei um musical tão bom assim, ainda mais por ter dois astros como Frank Sinatra e Gene Kelly, deveria ser melhor. Pelo menos pude mais uma vez passar horas divagando sobre como Gene Kelly era GRANDE, quanta carne, deus do céus. Tem até uma cena com ele dormindo de shortinho, ques coxão indecente.



daí o filme acabou, minha mãe achou que pedia mais um número musical no final, tive que concordar (na real rolam dois beijos simultâneos, cada um com a sua mocinha).

hoje resolvi ver o "jules e jim". tava até moderadamente animada. clássico é clássico.
agora as verdades da vida: número 1: realmente prefiro, no geral, cinema americano ao cinema europeu. claro que se for ficando buscando aqui e ali, vamos ter várias exceções, e claro que me refiro ao bom cinema americano, embora não tenha tanta aversão aos blockbuster como a maioria das pessoas parece ter (gosto de vários, inclusive). e, número 2: admiro muita coisa nouvelle vague, acho mais que válido, superei a decepção da primeira vez que vi "acossado", considero anna karina musa, mas realmente nouvelle vague não é a minha praia.

dito isso, achei "jules e jim" meio que como "marujos do amor": ok, bom que vi, mas faltou algo. e novamente estava diante de uma dupla complementar, com um rapaz tímido, fraco e outro que era o impulso, o charmoso. e, de novo: não consegui ter muita empatia com nenhum dos dois. muito menos com a catherine (em matéria de mulher intrépida e voluntariosa, vão ter que comer muito feijão pra superar scarlett, a musa, embora eu saiba que catherine it's not about that). e fiquei esperando isso o filme todo, mais do que no dia anterior. não desenvolvi nem antipatia (acontece bastante, em "retrato de uma senhora" aconteceu com todos os personagens menos ralph, era coisa de doido). eram apenas personagens, pra mim, sem vida. isso me chateou um pouco, no filme, mas gosto bastante deles usarem listras na praia.


ps - verifiquei em casa o que a gpw tem do zurlini e é: nada
pps - gosto bastante de "pierrot le fou".

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

tive uma noite maldormida, acordei de supetão, com algumas dores no corpo. eu tinha que ir na casa de uma colega deixar um cd com fotos, e apesar da casa dela ser aqui na rua estava com muita preguiça de me trocar, caminhar, de falar - não gosto de falar quando acordo, e olha que mesmo tendo feito uma horinha no pc ajeitando as tags da compilação da nico (the frozen borderline), ainda me sentia assim, pouco disposta a papo.

me arrastei pra fora de casa, ainda com resquício de sono, e meu corpo não parecia me obedecer, estava um pouco sem controle, sentia os braços como pesos mortos soltos ao meu lado, tropeçei três vezes na calçada, estava meio dormente. uma cara de sono que retardava as reações em mim por alguns segundos (o que me faz parecer idiota), o cabelo insistindo em não ficar arrumado. pois la estava eu, já na quadra do prédio dela, quando ouvi três figurantes discutindo a teoria dos figurantes. eram dois meninos e uma menina, que replicava, extretamente ofendida por ter sido chamada de figurante na cara dura:

- vc também é figurante!
os dois meninos riram e o que estava mais próximo dela respondeu:
- só faço figuração em seriado.

achei a coisa mais surreal do mundo e ri, discretamente, porque não queria estabelecer nenhuma conexão com aqueles figurantes creiços. figurante de colégio é a coisa mais uó do mundo, e tenho dito.

ps - a produção tá meio de sacanagem rs, a facom que o diga.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

dicionário vs. livros (não que o dicionário não seja livro ok)

dia desses tava conversando com um colega da faculdade sobre ler em inglês; se eu lia com dicionário do lado ou ia tentando inferir, se entendia tudo etc. falei pra ele que formei meu vocabulário em português basicamente lendo e captando o sentido das palavras, mas que com inglês o ideal era dosar, pois o total de palavras desconhecidas tende (dã) a ser maior. ele ficou um pouco surpreso ao saber que considero um vocabulário formado em leituras mais sólido e disse pensar o inverso.

quando estava no ginásio, meu vocabulário era maior que o dos meus colegas, e eu era considerada a tira-dúvidas do pessuel. sempre me perguntavam quando viam uma palavra que desconheciam. eu sempre respondia "é como se fosse...", "é tipo assim..." etc. não sabia dar definição completa, de dicionário, pra maior parte delas, o que me irritava um pouco. ao chegar em casa, sempre conferia e, o que acontece até hoje, achava divertido ver a definição de uma palavra que conheço de cabo a rabo. a verdade é que aprendi a maior parte delas lendo no contexto; passava como um trator pela maior parte das palavras desconhecidas, exceção feita àquelas que eram muito desconcertantes, claro, e de um modo ou de outro fui entendendo essas palavras, que se integravam naturalmente à minha fala.

no colegial eu tinha um professor que fazia as construções de frase mais estranhas do mundo. um dia, na aula, eu pensei: esse cara deve ler dicionário. nada contra ler dicionário, é dos melhores e mais divertidos livros do mundo. mas eu comecei a notar quando as pessoas aprendem as palavras do dicionário. no caso desse meu professor, acho que ele não aprendia direito e gerava distorções nos usos das palavras; penei pra me lembrar de um exemplo mas até agora não consegui. era uma coisa que me entretinha muito na aula (chatíssima) dele, ficar vendo-o usar palavras que devia julgar bonitas totalmente fora de um contexto, ficava algo grotesco. mas no geral o que ocorre é que o significado da palavra é bem compreendido, a pessoa usa com naturalidade, mas por algum motivo ela fica se destacando na frase, asseada, empoada, brilhante.

eu (e provavelmente um monte de pedagogos brinks) ainda acho que ler é a melhor maneira de fazer com que as palavras se entranhem em nós nos seus significados mais reais e, geralmente, bonitos.

porque inovar é uma arte.

domingo, 26 de agosto de 2007

making of


Durante minha primeira infância, vivi no Itaigara. Morava lá, estudava lá, brincava lá. Aos 7 anos me mudei para a Pituba, onde vivo até o dia de hoje, nos limites de Amaralina. Sou o que se chama pejorativamente de “menina de play”, com o espaço para brincadeiras bem delimitado no cotidiano. Nunca tive problemas com isso; gostava moderadamente de brincar de polícia e ladrão, bandeirinha, esconde-esconde na garagem, mas desde cedo minha individualidade se destacava em relação à minha sociabilidade. Eu era uma criança que gostava de ler, algo que é essencialmente solitário. Casualmente, às vezes, ia para Lauro de Freitas, onde um tio tinha uma casa e onde, inesperadamente, gozava do prazer de subir em árvores, algo que me acompanhou vida afora. Meus avós paternos toda a vida viveram em Mont Serrat, mas lá para mim era mais uma casa, numa ladeirinha estreita, do que um exuberante e charmoso bairro (até hoje me choco quando o carro vira no sopé da ladeira e ali está uma praia, bonita, pulsante, um campo de futebol cheio gente, um barulho insuspeito 100m acima). Tomar um sorvete por ali era exceção, a regra era ficar confinada na casa, solidamente sem graça e atrativos para uma criança.

Não pensava muito nisso até entrar na faculdade, quando fui levada a crer que morar na Pituba Não É Bom O Bastante; que sou uma “pitubinha” e, sim, burguesa (ainda usam esse termo sem o devido contexto histórico).

Entendo o rancor daqueles que se criam ouvindo que moram longe. No colegial tinha uma amiga que vivia na Ribeira: fui lá somente uma vez, viagem traumática sobre a roda de um ônibus, aparentemente interminável e, no final, era só uma casa em um bairro. Eu particularmente nunca ajudei muito a derrubar o estereótipo de “jovem alienada que acha que o mundo acaba na Barra”; a junção do puro desinteresse, minha pouca vontade de sair de casa e uma incrível inabilidade geográfica conspiraram pra que realmente eu me tornasse o que sou hoje, uma ignorante, no geral, da cidade de Salvador.

A Pituba me acostumou mal: tem todos os bancos que eu possa precisar (na realidade, em uma única avenida!), farmácia, médico, escola, um ponto de ônibus acessível e de fácil trânsito. Seu planejamento regular, com transversais e paralelas, torna fácil até mesmo para mim não perder a referência e, em última instância, não me perder. Percebi enquanto caminhava pelo Bonfim que realmente a pessoa tem que ser nem que seja um pouco mais safa do que eu pra se virar naquelas ruas tortas. Sou pajeada por padarias de bairro e uma filial da maior da cidade; um Bompreço em frente à minha casa, que anos depois foi, surrealmente, incrementado com um Bob’s. Tem algumas lojas de roupas espalhadas por pequenos shoppings ordinários, um teatro ao qual nunca fui, uma simpática igreja, algumas praças, pelo menos dois sebos, uma loja de mídias com bons preços a uma caminhada de 10 minutos, uma papelaria, uma boa banca. Duas livrarias (Cultura e Civilização Brasileira) e, lá na ponta, a mega store Nobel (tem uma parte para lanches, filmes, revistas, discos e livros, divisão que acaba por dificultar que se tenha qualidade em algo, mas pelo menos as promoções para locar temporadas de seriados são boas). Tem a GPW também, que apesar de cara é a mais completa vídeolocadora da cidade. Para escapar dela, pode-se cadastrar em uma “locadora de bairro”; tem duas bem perto de mim, meu irmão se cadastrou recentemente e ta fazendo a festa. Já ia esquecendo, para quem gosta tem barzinho, caranguejo, clube de strip etc etc. Cada um se diverte como pode, né?

Tudo isso é infra-estrutura. Não fala nada sobre o “clima” do bairro. Dizem que não tem alma, que é insosso, cheio de boyzinho. O que posso dizer? Cada um com o zeitgeist (sei que é para época!) que merece. Realmente, a Pituba, apesar de toda essa vantagem na frente de todo e qualquer outro bairro do mundo (vivo aqui há uns 14 anos), não é nem o meu lugar favorito (prefiro o Campo Grande e a Praça da Sé). Mas não posso evitar de pensar, sempre que to chegando em casa, quando passo pela somed e viro à direita, e vejo toda a rua amazonas se estendendo diante de mim, ladeada por amendoeiras que dão uma sombra gostosa, com um ventinho fresco batendo e certa tranqüilidade, bem, não posso evitar de pensar como minha rua é aprazível. Talvez não arrebate, como arrebata tomar um sorvete do lado do Elevador Lacerda, vendo a Baía de Todos os Santos. Não é turístico, mas aprazível é bom (e não é sem graça). Não entendo tanta má vontade com um bairro que tem uma das arborizações mais simpáticas da cidade (sim). Isso me chocou muito cedo na vida adulta, despertando até certo bairrismo já derrotado dentro de mim.

Para a classe média, nada. No fundo parece que esse é o problema. Reconheço que tem muito patricinha e mauricinho no bairro. E daí? A diversão na Pituba tem esse ranço de classe média metida a besta, não tem o charme do Rio Vermelho, a suposta classe da Barra. Esse é o aspecto que eu menos ligo, bjs. Não quero saber de casa de show, de bar, de nada disso. Entrei num barzinho desses uma vez e odiei. Mas acho bom caminhar toda a rua amazonas até chegar à sorveteria amaralina e ficar sentado na praça diante dela, tomando sorvete de brigadeiro e vendo crianças correndo atrás de pombos, um beagle alma gêmea de Daphne, e um apartamento simpático que me lembrou a casa do Gene Kelly em Um Americano Em Paris.

Fui levada a crer que a baianidade desse bairro é quase nula, que tudo aqui é um arremedo. Roots mesmo é cidade baixa, comércio, centro. Entrevistar velhinhos cheios de lembranças, enaltecer como esses bairros antigos são ternos, com moradores solidários e alma de cidade do interior. Falar que casa é melhor que apartamento. Perfilar o Bonfim tudo bem, a Pituba é heresia. Eu não ligo, eu sinceramente não ligo, pro que Milton Santos disse – eu gosto de árvores, de praças, de jardins, de prédios sem pastilhas (infelizmente o meu tem, aliás, meu prédio é bem feio), de velhinhas indo pra igreja, de um mar que se oferece fácil no horizonte e, sim, de facilidades.

post scriptum: é Sinfonia de Paris porra! Sempre penso no nome em inglês, por conta disso já me ofereceram LOBISOMEM AMERICANO EM PARIS na locadora.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

why don't you lay your head down in my arms?

são 4:16AM e espantosamente a keren ann salvou minha madrugada (dores nas costas, na mão direita e tédio). sério, depois do not going anywhere e do la disparition, que achein insossos, não esperava muita coisa ao baixar o disco novo. foi uma surpresa agradável.

vejam o vídeo de lay your head down, a faixa mais bonita do cd, linda linda linda. passei os últimos 15 minutos ouvindo essa música, bestificada.

terça-feira, 10 de julho de 2007

hiatus.

sábado, 16 de junho de 2007

londres

estou ouvindo o cd novo do bloc party, weekend in the city, para um trabalho da faculdade. a cidade do título, sim, é londres. é londres mais de baladinha, claro.

também tô lendo dois livros que falam sobre a cidade, cada um a seu modo. cenas londrinas, de virginia woolf, como o nome indica, é mais direto. são pequenos ensaios da virginia sobre a cidade, que ela amava. os textos foram feitos para um jornal, e tratam de coisas prosaicas da cidade, como as docas, até o dia de groupie no qual ela foi visitar a casa de famosos londrinos.

o outro livro, the portrait of a lady, do henry james, é um romance que retrata a inglaterra do séculoXIX. o henry james era um americano radicado em londres, e essa é uma tensão que aparece bastante no livro, pois a senhora do título é isabel archer, uma jovem órfã americana que vai passar uns tempos na europa com a tia. todo o tempo existe uma discussão sobre as diferenças entre ingleses e americanos, uma reflexão sobre a inglaterra, e um delicioso capítulo sobre a viagem de isabel a londres.

convergência, quem curte. como jung chamava mesmo?