quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
domingo, 7 de janeiro de 2007
A casa de Virginia W. (Alicia Gimenez Bartlett)
Há uma desorganização na edição, não sei se intencional ou não. Existem três pilares narrativos: o primeiro, que abre o livro com grandes ares de introdução, é a fala da autora, no tempo real, falando sobre a feitura do livro. Ela fala de como descobriu a existência do diário de Nelly Baxter, a empregada de Virginia Woolf por longos anos, e durante todo o livro ocorrem interrupções com reflexões dela. Certamente não é difícil distinguir esse momento dos outros, mas não conte com nenhuma ajuda do livro. No começo fiquei um pouco atordoada, porque julgava estar lendo algo introdutório e de repente começa o diário de Nelly, sem que nada pontuasse isso a não ser, obviamente, a mudança de voz. O segundo pilar narrativo é o retirado dos diários. Não tenho certeza se todos os trechos são realmente extraídos dos diários ou se alguns foram feitos pela autora. Achava que eram todos originais, afinal ela disse que os usou, mas em alguns momentos ela fala muito categoricamente nos seus comentários “como vemos nesse trecho dos diários” e usa aspas, o que leva a crer que os outros trechos foram, talvez, criados por ela; há, por fim, momentos narrativizados, que com certeza foram feitos pela autora, com diálogos e tudo. _
Depois dessa preleção chata e longa (além de certamente estar confusa, mas é o livro que é um pouco assim), vamos ao que interessa. Nas partes que a autora fala ela tenta ser simpática e às vezes até dá uma contextualizada legal, mas acho muitas vezes excessivo e desnecessário.
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As romanceações dela não são más, mas nas inserções que ela faz como autora, ela diz de certa feita: “porque encasquetei de escrever um livro cuja imaginação fica refém da realidade?”. Pois bem, às vezes fico pensando que a imaginação conseguiu dar a volta por cima. No caso ápice, quando Nelly expulsa Virginia do seu quarto, os registros são muito curtos nos diários (dessa feita identificados) e daí a romantização tem muitos elementos que ela presumiu pela sua leitura dos dois diários, certamente, mas que não exibe para nós, leitores. Fica tudo parecendo um reforço, e extremamente didático, no final das contas, para o conflito principal entre as protagonistas.
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E esse conflito é o que sustenta o livro; a abordagem de falar de Virginia Woolf sob o ponto de vista de uma empregada dela pareceu, a muitos, apenas mais uma tentativa de ganhar dinheiro fácil com o chamariz de ser algo novo, com o nome de Woolf. Porém a discussão suscitada pelo livro é muito válida; não é questão de incitar ódio ou querer “desconstruir” Virginia Woolf, como observei pessoas comentando, mas de tentar entender melhor não só a complexidade dessa artista, mas da humanidade em geral.
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Explico: o livro levanta a questão da ideologia versus a prática. Virginia Woolf defendia o direito das mulheres, escreveu um livro chamado Um Teto Todo Seu falando da necessidade de ter um cômodo para si, onde se pudesse desenvolver uma individualidade, mas, no entanto, mantinha as duas empregadas dividindo um pequeno quartinho. Não contratava diaristas para ajuda-las quando iam visitas (algo comum na época) e, sim, recebiam muitas visitas, que multiplicavam o trabalho das moças. Sem contar que elas eram tratadas como objetos, levadas de lá para cá de acordo com as viagens dos patrões, ou até mesmo se a irmã precisasse de uma forcinha, vamos mandar a Nelly lá, sem saber se ela gostaria ou não. Era algo da época, os empregados eram como que propriedades dos patrões, mas os Woolf não pareciam oferecer muitas contrapartidas em comparação com os outros. Quando Nelly ou a outra empregada, Lottie, iam pedir aumento em virtude disso ou daquilo, Virginia falava “você sabe que eu e mr. Woolf não somos ricos comerciantes, e sim artistas”, ou coisa que o valha. Considero esse um argumento extremamente cínico.
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Virginia não tinha muitas habilidades práticas e às vezes tentava interferir na vida doméstica, como qualquer patroa, para aproveitar mais o dinheiro. Mas, geralmente, dava conselhos de pouco tato, o que irritava as empregadas. No filme As Horas, vemos Virginia muito amedrontada com elas, e presumo que poderia ser uma deterioração disso: elas cansaram.
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Deterioração que é uma ótima palavra para tratar desse livro. Nelly, inicialmente, adora a patroa e a defende de fofocas maliciosas (o grupo de Bloomsbury certamente foi alvo de muitas), mas com o passar do tempo isso vai se desgastando. Era uma pedia demissão de cá, a outra demitia de lá, volta atrás, mais algum tempo e tudo de novo...
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Existe a questão do modo de vida dos “artistas” ser muito diferente da das pessoas “normais”. Não eram todos artistas (Leonard Woolf e Keynes certamente não o eram), mas todo o grupo era visionário, estava à frente do seu tempo. E os empregados deles aprenderam certas coisas com isso; Nelly tinha muitas atitudes como a da patroa, desconfiava dos casamentos e dos jornais, acreditava que estar na casa dos Woolf deu uma experiência e visão de mundo diferente para ela, embora obviamente às vezes fosse demais. E, no final, acreditou ser uma espécie de maldição.
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Outro ponto positivo do livro é mostrar como os seres humanos têm dificuldade de compreensão e comunicação. Em diversos momentos, Virginia acha que Nelly deve estar feliz porque ela está doente, ou porque viajou para longe, e o que se vê é exatamente o contrário.
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Na verdade o que irritou muitos fãs da autora é que ao ler esse livro fica a pergunta: Virginia Woolf era esnobe? Ela participava dos movimentos trabalhistas mas parecia se chocar ao perceber nas empregadas semelhanças com ela. Eu, particularmente, acho que ela tinha alguns traços, sim, mas não que a comprometessem. Um dos comentários do diário dela que é reproduzido diz: “imagine um mundo que fosse governado por Nellys e Lotties” que pode parecer extremamente ofensivo num sentido de classe e, no entanto, esse comentário poderia ser por outro motivo.
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Devemos superar comentários do tipo “Virginia Woolf tinha mais o que fazer do que dar atenção/discutir com as empregadas”, “ela estava acima disso” e também compreender que nada disso afeta, diretamente, o valor de suas obras, inestimável.
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Creio que o debate do livro supera mrs.Woolf e deverá gerar reflexões em todos que o leiam – mesmo se tornando mais cansativo à medida que avança.
(foi meio estilo random thoughts também. esse livro levantou pra mim muitos pontos. tem uma hora que a nelly tá pensando consigo mesma: "como ela fala que os amigos são tudo para ela se às vezes nem quer vê-los?" ela parece não sentir que, às vezes, não dá; o tempo fecha para todo mundo).
Random thoughts
Ouvindo Tant de Belles Choses, com um pouco de sono e começando a me sentir melancólica. Não é um início auspicioso para o meu período preferido do dia: a madrugada.
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Meu pai acha que eu mesma cortar meus cabelos é o sinal máximo do meu desleixo. Eu cortei meu cabelo hoje e ao olhar no espelho ele parecia exatamente o que era, o mesmo cabelo com 4 dedos a menos, se encolhendo de maneira ridícula. Se eu perdesse dez quilos voltaria a usar cabelo “joãozinho” para toda a eternidade. Mas, como não penso seriamente em perder nem dez nem um quilo, vou continuar engordando e sem nenhum corte de cabelo apetecível para mim, no que concerne a modelo, volume, tamanho etc.
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Ou seja.
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Agora estou ouvindo uma cantora-compositora vinda da Suécia, claro, minha nova obsessão musical (a Suécia, não a cantora). Ela tem um ar extremamente nerd que, suponho, deve fazer parte do pacote. Atualmente no pacote Suécia quem está na frente é El Perro Del Mar, embora Shout Out Louds me divirta bastante e eu ache Jens Lekman fora de série. Estou ouvindo muito Heikki, banda de uma das mocinhas do The Concretes. O The Concretes, eu li em algum lugar, não tem nada de demais. Isso acontece com muitas bandas, claro. Ta tudo no lugar e tal, mas também é só isso. Gosto muito da voz da vocalista, só que ela canta sei lá, não diria nem desempolgadamente, porque isso não seria problema, mas de uma maneira entediada. Aliás, que produz tédio. Claro que tem músicas legais, e até por conta disso to dando um tempo a mais pro Concretes. Aliás, a vocalista saiu do Concretes. O nome dela é Victoria Bergsman e ela que canta no Young Folks com o Peter Bjorn And John.
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Bom, essa mocinha que to ouvindo ta meio Tori Amos e isso pra mim não é positivo. Se bem que quando ela não ta espedaçando a voz fica até legal. Agradável. Agora que eu vi a cara dela fico imaginando que ela ta aqui, sussurrando no meu ouvido, e isso me desagrada. Falsete. Voz fina. Gritos. Suponho que parece pior assim. Vou dar mais duas músicas de tentativa pra moça antes de deletar.
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O problema é que fico pensando: tem gente que não é tão bom à primeira vista, mas vai que melhora? Posso amar esse cd daqui a um mês.... Tenho dó de deletar. E mais, tem trechos ótimos em algumas músicas, não dá pra manter só esses? Enfim.
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Acabei de ver a foto nova da Hardy no Last Fm e é tão linda. E já to com dó do que escrevi sobre o The Concretes, ouvindo a ótima You Can’t Hurry Love.
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Pronto, três discos depois achei uma cantora-compositora muito mais ao meu estilo: Julie Doiron (essa é do Canadá, outro centro de música boa, também).
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Té já (com preguiça de lapidar o post sobre Plath-Hughes, já esboçado).
por
Unknown
às
12:11 AM
Marcadores: random thoughts
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
discografia brevemente comentada do brendan benson

É um disco com músicas curtas, com algumas exceções, muita puxada powerpop, claro, e com as letras ingênuas, para muitos bobas. Esses são os primeiros versos do CD:
I'm drinkin' tea
If it's good enough for me then it's good enough for you
We can have tea for two
How do you do?
O segundo disco, Lapalco, é considerado pela maioria como o ápice do trabalho dele. Eu acho um disco muito bom também, carismático, com bons riffs e pequenas pérolas que só a música pop pode nos propiciar, como Metarie, uma das minhas favoritas.
Met a girl – introduced myself
I asked her to with me and no one else
And she said: I’d really like to see you everyday
But I’m afraid of what my
friends might say
You need a bath and your clothes are wrong
You’re not my type I can tell we wouldn’t get along
I just laughed what else could I do
O que mais gosto nele é justamente essa ingenuidade, uma certa inocência, combinada cm um quê de cachorro sem dono. Ele me lembra essas pessoas meio hippies meio surfistas, ternas e de bem com a vida, tranqüilas. É simples e, por isso mesmo, tocante.
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O último trabalho solo, The Alternative to Love, tem pitadas country, mas abre rasgando com Spit It Out, que tem uma letra meio metalinguística. Depois vem a bela Cold Hands, Warm Heart, outra favorita. Esse cd realmente vai ficando mais cansativo pro final, ao contrário dos predecessores, que passam num pulo, sempre bons. Ainda assim, é um bom disco.
O ps é que gosto também das três capas. Acho que cada uma evoca bem o espírito dos cds.
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Exemplos de versos simples, singelos e que eu adoro:
My baby's tied to a chair
Don't she look pretty, just sittin' there?
My baby's tied to a chair
Don't she look pretty, just sittin' there?
(refrão de uma canção do One Mississippi)
Oh, girl
Please you got to stay with me
Things will get better eventually
Dá pra resistir?
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
sortidos
Alias



