quinta-feira, 11 de janeiro de 2007


Quando criança, Zelda Fitzgerald queria ser uma mulher muito rica e fora do comum.
Adoro a Zelda. Quando teve sua única filha, Scottie, ela desejou que ela fosse "bonita e tola - uma linda tolinha".
Adoro a Zelda. Acho que ela era uma libélula, sempre colorida, esvoaçante e de bem que a vida. Dançarina no fervor da meia idade!
(comentário embasado em muitos nadas, claro).

Novo do Au Revoir Simone na praça, novo do Sondre Lerche, novo do Apples in Stereo (baixei tem tanto tempo que nem parece mais novo, apesar de não ter sido lançado), novo do Of Montreal (idem), ep do Beirut. E mais uma vez não consigo ficar longe do rapidshare, como tinha prometido que faria. Ainda resolvi dar uma segunda chance à Carina Round, peguei a Regina Spektor, Joanna Newsom e to viciada em Mates of State, Fiery Furnaces e na Julie Doiron, aquela de dois ou três posts abaixos. Nesse curto período ouvi muito, MUITO, a Julie Doiron.
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Que descontrole.

domingo, 7 de janeiro de 2007

A casa de Virginia W. (Alicia Gimenez Bartlett)

Há uma desorganização na edição, não sei se intencional ou não. Existem três pilares narrativos: o primeiro, que abre o livro com grandes ares de introdução, é a fala da autora, no tempo real, falando sobre a feitura do livro. Ela fala de como descobriu a existência do diário de Nelly Baxter, a empregada de Virginia Woolf por longos anos, e durante todo o livro ocorrem interrupções com reflexões dela. Certamente não é difícil distinguir esse momento dos outros, mas não conte com nenhuma ajuda do livro. No começo fiquei um pouco atordoada, porque julgava estar lendo algo introdutório e de repente começa o diário de Nelly, sem que nada pontuasse isso a não ser, obviamente, a mudança de voz. O segundo pilar narrativo é o retirado dos diários. Não tenho certeza se todos os trechos são realmente extraídos dos diários ou se alguns foram feitos pela autora. Achava que eram todos originais, afinal ela disse que os usou, mas em alguns momentos ela fala muito categoricamente nos seus comentários “como vemos nesse trecho dos diários” e usa aspas, o que leva a crer que os outros trechos foram, talvez, criados por ela; há, por fim, momentos narrativizados, que com certeza foram feitos pela autora, com diálogos e tudo.

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Depois dessa preleção chata e longa (além de certamente estar confusa, mas é o livro que é um pouco assim), vamos ao que interessa. Nas partes que a autora fala ela tenta ser simpática e às vezes até dá uma contextualizada legal, mas acho muitas vezes excessivo e desnecessário.

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As romanceações dela não são más, mas nas inserções que ela faz como autora, ela diz de certa feita: “porque encasquetei de escrever um livro cuja imaginação fica refém da realidade?”. Pois bem, às vezes fico pensando que a imaginação conseguiu dar a volta por cima. No caso ápice, quando Nelly expulsa Virginia do seu quarto, os registros são muito curtos nos diários (dessa feita identificados) e daí a romantização tem muitos elementos que ela presumiu pela sua leitura dos dois diários, certamente, mas que não exibe para nós, leitores. Fica tudo parecendo um reforço, e extremamente didático, no final das contas, para o conflito principal entre as protagonistas.

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E esse conflito é o que sustenta o livro; a abordagem de falar de Virginia Woolf sob o ponto de vista de uma empregada dela pareceu, a muitos, apenas mais uma tentativa de ganhar dinheiro fácil com o chamariz de ser algo novo, com o nome de Woolf. Porém a discussão suscitada pelo livro é muito válida; não é questão de incitar ódio ou querer “desconstruir” Virginia Woolf, como observei pessoas comentando, mas de tentar entender melhor não só a complexidade dessa artista, mas da humanidade em geral.

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Explico: o livro levanta a questão da ideologia versus a prática. Virginia Woolf defendia o direito das mulheres, escreveu um livro chamado Um Teto Todo Seu falando da necessidade de ter um cômodo para si, onde se pudesse desenvolver uma individualidade, mas, no entanto, mantinha as duas empregadas dividindo um pequeno quartinho. Não contratava diaristas para ajuda-las quando iam visitas (algo comum na época) e, sim, recebiam muitas visitas, que multiplicavam o trabalho das moças. Sem contar que elas eram tratadas como objetos, levadas de lá para cá de acordo com as viagens dos patrões, ou até mesmo se a irmã precisasse de uma forcinha, vamos mandar a Nelly lá, sem saber se ela gostaria ou não. Era algo da época, os empregados eram como que propriedades dos patrões, mas os Woolf não pareciam oferecer muitas contrapartidas em comparação com os outros. Quando Nelly ou a outra empregada, Lottie, iam pedir aumento em virtude disso ou daquilo, Virginia falava “você sabe que eu e mr. Woolf não somos ricos comerciantes, e sim artistas”, ou coisa que o valha. Considero esse um argumento extremamente cínico.

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Virginia não tinha muitas habilidades práticas e às vezes tentava interferir na vida doméstica, como qualquer patroa, para aproveitar mais o dinheiro. Mas, geralmente, dava conselhos de pouco tato, o que irritava as empregadas. No filme As Horas, vemos Virginia muito amedrontada com elas, e presumo que poderia ser uma deterioração disso: elas cansaram.

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Deterioração que é uma ótima palavra para tratar desse livro. Nelly, inicialmente, adora a patroa e a defende de fofocas maliciosas (o grupo de Bloomsbury certamente foi alvo de muitas), mas com o passar do tempo isso vai se desgastando. Era uma pedia demissão de cá, a outra demitia de lá, volta atrás, mais algum tempo e tudo de novo...

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Existe a questão do modo de vida dos “artistas” ser muito diferente da das pessoas “normais”. Não eram todos artistas (Leonard Woolf e Keynes certamente não o eram), mas todo o grupo era visionário, estava à frente do seu tempo. E os empregados deles aprenderam certas coisas com isso; Nelly tinha muitas atitudes como a da patroa, desconfiava dos casamentos e dos jornais, acreditava que estar na casa dos Woolf deu uma experiência e visão de mundo diferente para ela, embora obviamente às vezes fosse demais. E, no final, acreditou ser uma espécie de maldição.

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Outro ponto positivo do livro é mostrar como os seres humanos têm dificuldade de compreensão e comunicação. Em diversos momentos, Virginia acha que Nelly deve estar feliz porque ela está doente, ou porque viajou para longe, e o que se vê é exatamente o contrário.

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Na verdade o que irritou muitos fãs da autora é que ao ler esse livro fica a pergunta: Virginia Woolf era esnobe? Ela participava dos movimentos trabalhistas mas parecia se chocar ao perceber nas empregadas semelhanças com ela. Eu, particularmente, acho que ela tinha alguns traços, sim, mas não que a comprometessem. Um dos comentários do diário dela que é reproduzido diz: “imagine um mundo que fosse governado por Nellys e Lotties” que pode parecer extremamente ofensivo num sentido de classe e, no entanto, esse comentário poderia ser por outro motivo.

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Devemos superar comentários do tipo “Virginia Woolf tinha mais o que fazer do que dar atenção/discutir com as empregadas”, “ela estava acima disso” e também compreender que nada disso afeta, diretamente, o valor de suas obras, inestimável.

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Creio que o debate do livro supera mrs.Woolf e deverá gerar reflexões em todos que o leiam – mesmo se tornando mais cansativo à medida que avança.

(foi meio estilo random thoughts também. esse livro levantou pra mim muitos pontos. tem uma hora que a nelly tá pensando consigo mesma: "como ela fala que os amigos são tudo para ela se às vezes nem quer vê-los?" ela parece não sentir que, às vezes, não dá; o tempo fecha para todo mundo).


Random thoughts

Ouvindo Tant de Belles Choses, com um pouco de sono e começando a me sentir melancólica. Não é um início auspicioso para o meu período preferido do dia: a madrugada.

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Meu pai acha que eu mesma cortar meus cabelos é o sinal máximo do meu desleixo. Eu cortei meu cabelo hoje e ao olhar no espelho ele parecia exatamente o que era, o mesmo cabelo com 4 dedos a menos, se encolhendo de maneira ridícula. Se eu perdesse dez quilos voltaria a usar cabelo “joãozinho” para toda a eternidade. Mas, como não penso seriamente em perder nem dez nem um quilo, vou continuar engordando e sem nenhum corte de cabelo apetecível para mim, no que concerne a modelo, volume, tamanho etc.

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Ou seja.

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Agora estou ouvindo uma cantora-compositora vinda da Suécia, claro, minha nova obsessão musical (a Suécia, não a cantora). Ela tem um ar extremamente nerd que, suponho, deve fazer parte do pacote. Atualmente no pacote Suécia quem está na frente é El Perro Del Mar, embora Shout Out Louds me divirta bastante e eu ache Jens Lekman fora de série. Estou ouvindo muito Heikki, banda de uma das mocinhas do The Concretes. O The Concretes, eu li em algum lugar, não tem nada de demais. Isso acontece com muitas bandas, claro. Ta tudo no lugar e tal, mas também é só isso. Gosto muito da voz da vocalista, só que ela canta sei lá, não diria nem desempolgadamente, porque isso não seria problema, mas de uma maneira entediada. Aliás, que produz tédio. Claro que tem músicas legais, e até por conta disso to dando um tempo a mais pro Concretes. Aliás, a vocalista saiu do Concretes. O nome dela é Victoria Bergsman e ela que canta no Young Folks com o Peter Bjorn And John.

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Bom, essa mocinha que to ouvindo ta meio Tori Amos e isso pra mim não é positivo. Se bem que quando ela não ta espedaçando a voz fica até legal. Agradável. Agora que eu vi a cara dela fico imaginando que ela ta aqui, sussurrando no meu ouvido, e isso me desagrada. Falsete. Voz fina. Gritos. Suponho que parece pior assim. Vou dar mais duas músicas de tentativa pra moça antes de deletar.

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O problema é que fico pensando: tem gente que não é tão bom à primeira vista, mas vai que melhora? Posso amar esse cd daqui a um mês.... Tenho dó de deletar. E mais, tem trechos ótimos em algumas músicas, não dá pra manter só esses? Enfim.

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Acabei de ver a foto nova da Hardy no Last Fm e é tão linda. E já to com dó do que escrevi sobre o The Concretes, ouvindo a ótima You Can’t Hurry Love.

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Pronto, três discos depois achei uma cantora-compositora muito mais ao meu estilo: Julie Doiron (essa é do Canadá, outro centro de música boa, também).

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Té já (com preguiça de lapidar o post sobre Plath-Hughes, já esboçado).

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

discografia brevemente comentada do brendan benson

A primeira vez que ouvi falar do Brendan Benson foi realmente por ocasião do surgimento do Raconteurs. Como fã do White Stripes, acompanhei atentamente a formação da nova banda do Jack (apesar de minha predileção, desde sempre, ter estado com a Meg, mas isso é supérfluo, como quase tudo). Mas também admito que não me esforcei pra pegar os cd's solo do Brendan - a verdade é que o cd da banda não me empolgou muito.
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As indicações para que eu ouvisse esses trabalhos foram vindo esparsamente, de diferentes pessoas. Quando resolvi chafurdar mais um pouquinho no power pop, dei o passo definitivo pra baixar o Brendan (quem dera). Depois de fazer o download, demorei pra ouvir e quando ouvi gamei de cara.
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O primeiro cd do Brendan, de 1996, é o One Mississippi, que foi o último que baixei.



É um disco com músicas curtas, com algumas exceções, muita puxada powerpop, claro, e com as letras ingênuas, para muitos bobas. Esses são os primeiros versos do CD:

I'm drinkin' tea
If it's good enough for me then it's good enough for you
We can have tea for two
How do you do?


O segundo disco, Lapalco, é considerado pela maioria como o ápice do trabalho dele. Eu acho um disco muito bom também, carismático, com bons riffs e pequenas pérolas que só a música pop pode nos propiciar, como Metarie, uma das minhas favoritas.

Met a girl – introduced myself
I asked her to with me and no one else
And she said: I’d really like to see you everyday
But I’m afraid of what my
friends might say
You need a bath and your clothes are wrong
You’re not my type I can tell we wouldn’t get along
I just laughed what else could I do

O que mais gosto nele é justamente essa ingenuidade, uma certa inocência, combinada cm um quê de cachorro sem dono. Ele me lembra essas pessoas meio hippies meio surfistas, ternas e de bem com a vida, tranqüilas. É simples e, por isso mesmo, tocante.

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O último trabalho solo, The Alternative to Love, tem pitadas country, mas abre rasgando com Spit It Out, que tem uma letra meio metalinguística. Depois vem a bela Cold Hands, Warm Heart, outra favorita. Esse cd realmente vai ficando mais cansativo pro final, ao contrário dos predecessores, que passam num pulo, sempre bons. Ainda assim, é um bom disco.

O ps é que gosto também das três capas. Acho que cada uma evoca bem o espírito dos cds.

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Exemplos de versos simples, singelos e que eu adoro:

My baby's tied to a chair
Don't she look pretty, just sittin' there?
My baby's tied to a chair
Don't she look pretty, just sittin' there?

(refrão de uma canção do One Mississippi)

Oh, girl
Please you got to stay with me
Things will get better eventually

Dá pra resistir?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

sortidos

Na esteira da volta da "viagem", baixei o cd que o Dresden Dolls lançou em 2006, que tem o simpático nome de Yes, Virginia. Só eu tenho coceira ouvindo essa banda? Não sei porque não consigo aguentar duas músicas deles seguidas. Ouço uma e paro. Vou ali, aqui e volto pra ouvir outra. Não consigo apontar a razão do desagrado, e lembro que quando ouvi Coin Operated Boy pela primeira vez, achei ótima. Mas se ouvir esse disco e não rolar, vou deixá-los às traças (metaforicamente falando, claro) porque o mundo gira e tem muitas outras coisas pra ouvir.
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Sobre a ilha: sinto que realmente descansei e pensei que poderia facilmente ficar lá se tivesse as minhas coisas. Acontece que lá não é minha casa e às vezes tinha vontade de consultar determinado livro, o dicionário, deitar na minha cama. Passei muito tempo na rede, dormi em média 12 horas por dia e li bastante. O ano-novo, em si, foi bem básico. Ano passado, passei o Natal com minha mãe e minha irmã na UTI, minha tia internada. No ano-novo ela ainda estava convalescente, por isso ficamos em casa, vimos o show da virada e fomos dormir. Para não ser o desânimo total, minha mãe fez comidas diferentes e todos estávamos arrumados e tal. Esse ano, voltei pro ritual básico que não tenho nenhum problema em seguir, ficar de branco, um item de amarelo pra trazer dinheiro (vou precisar, esse ano), uma peça de roupa nova; fui pra praia e até joguei um punhado de sal grosso no mar meia-noite, para atender um pedido. Ah, tava com um ramo de arruda. São tantas coisas a fazer que perco a conta. Só não encontrei ânimo pra pular as sete ondinhas. Mergulhei de roupa e tudo no mar, meia noite. Sempre faço isso e costuma ser meu único banho de mar do ano - sem verão, corpos suados, biquinis.
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Na volta, pegamos uma fila de três horas, num sol de 33º que deixaria qualquer um deprimido. Dentro do ferry, geralmente me sinto meio enjoada. E sempre, claro, falta de civilidade por todos os lados: um carro com um mega som no bagageiro, tocando a mil - pagode, claro. Não consigo imaginar muitas situações piores; só se fosse eletrônico batidão, axé ou sertanejo-pop. Suponho que o fato de todos estarem tão congregados, dançando sem camisa na área dos carros, seja algo bom. No fundo, são todos muito ternos, ternos demais (apesar da falta de civilidade). E não quero ser irônica!
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No primeiro dia de 2005, estava na rede lendo os diários de Sylvia Plath. Dessa vez passei o dia acompanhada do Ted Hughes. Post sobre isso mais tarde, quiçá hoje. Ui, que hiperatividade depois do período sem pc... É, lá não tem computador também e isso evidentemente me deprime.

Alias

Estava revendo a segunda temporada de Alias, com certeza a melhor. Nela está meu episódio favorito, The Telling, que conta com uma seqüência fantástica, ao final.
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Considerações gerais sobre Alias, antes. A série começou bem, a primeira temporada foi vigorosa, inteligente. A segunda foi ainda melhor, com a entrada da excepcional Lena Olin e do David Anders. Daí houve todo um final apocalípctico - Sydney acorda em Hong Kong e descobre que se passaram dois anos com ela sumida, presumivelmente morta - e daí na volta não souberam concluir bem. A terceira temporada tem um enredo ruim, mas pelo menos conta com um bom par de vilões - Lauren e Sark - e algumas tensões na vida pessoal de Sydney. Isso é mais do que se pode dizer da quarta, que também começa após um final em suspenso, e é muito ruim. A quinta e última teve menos episódios (de médios para ruins). A sensação que dava era de que todos queriam pular fora da série. O J.J. Abrams estava super estourado em Lost, a Jennifer Garner casada e mãe, contracenando com o ex, Michael Vartan, e boatos dando conta do desagrado do Assfleck com isso... A Lena Olin, que eles tiveram que lamber o chão pra voltar pra fazer o final... Só me pergunto porque deixaram a série agonizar tanto antes de dar o golpe final - que graças a Deus foi dado.
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Bom, gosto de tramas de espionagem e de mulheres em ação, e acho que a Jennifer Garner tem carisma o suficiente para segurar a série, em partes; existiam pontos fracos, como o fato de ser muito maniqueísta, mas não era disso que Alias tratava, afinal. Quando, além de maniqueístas, as coisas ficavam mirabolantes demais, era deprimente. Considero a Jennifer Garner uma boa atriz, com bons recursos para trabalhar com ação (força física, agilidade) e simplesmente nascida para a comédia (ainda acho que esse potencial dela não foi explorado na sua totalidade, apesar do simpático De Repente 30). Gosto dela em cena e fora de cena - pena que casou com o Affleck.
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Pois bem, puxando o fio lá de cima: nessa cena, a Sydney chega em casa, cansada. Ela mora com dois amigos, Will e Francie, e não sabe que Francie na verdade foi assassinada e substituída por um dublê - alguém que assume a aparência de outra pessoa. Bom, Will descobriu e lutou com a falsa Francie (apanhou, na verdade). Quando Sydney chega, tudo normal. Pega um sorvete de café, senta ao lado de Francie, pergunta por Will e vai ouvir os recados no celular. Tem um de Will, falando sobre sua suspeita em relação a Francie. Nessa hora, Jennifer Garner deixa transparecer no rosto incredulidade, raiva e por último um esforço enorme para se controlar e então oferecer, naturalmente, um sorvete para a "amiga". Ela aceita e então Syd diz que vai se trocar. O sorvete era uma pegadinha - a Francie verdadeira odiava sorvete de café. Sydney se dirige reto para o quarto e pega uma arma, mas a dublê também se lembrou do detalhe do sorvete e já está apontando uma arma para ela. Se segue o diálogo:
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_ Francie doesn't like coffee icecream.
_No, she doesn't.
_Drop the gun! Drop it!
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E daí começa um tiroteio.
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Gente, adoro essa cena, desde a hora que Sydney concorda, distante, quando Francie diz que Will saiu, tomando sorvete e ouvindo os recados, passando por suas expressões faciais, o "no, she doesn't" e, claro, a luta. Acho que valeu a pena Alias ter existido nem que seja por esses quinze minutos finais da segunda temporada.
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Eu tenho certeza que Tarantino adora essa cena também. Ele era fã de Alias e já participou como ator um par de vezes - todas horríveis, claro, tão canastrão. A luta de Sydney e Francie é muito bagaceira, desajeitada, quebrando tudo na casa e endless, no final as duas estão acabadas de cansaço, prostradas. Me lembra muito A Noiva vs. Vernita Green, no Kill Bill Volume 1. Aquela coisa de uma empurrar a outra num armário cheio de pratos e caírem quebrando tudo. Sydney ganha por pouco e cai desmaiada - para acordar em Hong Kong e iniciar a decadência da série.